Apontado consensualmente como um dos melhores prospectos da classe antes da temporada universitária 2019-2020, o armador Nico Mannion (Arizona) tem perdido um pouco de espaço no topo do draft de acordo com boa parte dos scouters.


Sua dificuldade para se estabelecer como um ‘go-to-guy’ eficiente no nível universitário, encontrando problemas para criar espaço para o próprio arremesso em situações de ISO, bem como seu limitado impacto ofensivo – ambas lacunas impulsionadas majoritariamente por seu atleticismo mediano e a envergadura de apenas 1,89m.


Diferente desses avaliadores que muitas vezes colocam mais peso naquilo que o prospecto ‘não faz assim tão bem’ no lugar de investigar como seus pontos positivos se traduziriam para a NBA, nós da Central do Draft vemos em Mannion alguém cujo jogo será maximizado pelo estilo de basquete praticado na liga atualmente.


O italiano é um verdadeiro ‘criador de pace’, não apenas âmbito da exploração do jogo de transição sempre que possível – algo que também faz muito bem ao mostrar disposição constante para avançar a bola para um companheiro sem ao menos quica-la ou puxa-la com muita velocidade, encorajando os companheiros a correr a quadra – mas também pela maneira com que atua na meia quadra.


Mannion é um desses armadores que ‘dão energia à bola’ e movimento ao ataque, compreendendo a importância daquilo que os treinadores chamam de acertar ‘singles’ (ou seja, executando passes e leituras simples) para o desequilíbrio da defesa adversária, no lugar de ‘driblar’ por 10, 15 segundos para tentar desmonta-la em apenas uma jogada.


Essa característica de, aos 19 anos de idade, ter um entendimento do jogo e uma agilidade na tomada de decisões perfeita para os sistemas de ‘ler e reagir’ cada vez mais populares entre os treinadores da NBA – se soma à sua versatilidade para atuar também fora da bola.


Apesar de não ser – ele mesmo – um ‘go-to-guy’ com a bola nas mãos ao final do tempo de posse de bola, Mannion entrega enorme valor nessas situações por sua acurácia como arremessador em situações de catch and shoot.


Em 19-20, ele foi um dos melhores da NCAA (84th percentile) no quesito ao produzir 1.2 ponto por posse em que foi utilizado nessas situações – e mostrou versatilidade para fazê-lo tanto parado em situações de spot up, quanto em movimento, se desmarcando a partir do uso de screens.


Essa versatilidade o permitirá ser o principal criador e o maestro de uma equipe nos momentos em que o ataque estiver fluindo na transição e no jogo de screen and roll (área na qual é o melhor da classe de 2020) – e, ao mesmo tempo, atuar como um espaçador de quadra para que um companheiro possa ter espaço na hora de criar em situações de ISO em posses de bola ‘quebradas’.


Ofensivamente, em suma, não temos dúvida sobre seu sucesso na NBA.


Na defesa – onde provavelmente nunca se tornará um defensor individual versátil e ‘positivo’ devido às limitações físicas, Mannion demonstra bom QI de basquete e entendimento tático para contribuir fora da bola, antecipando rotações e usando sua agilidade para contestar arremessos em closeouts, bem como ser razoavelmente disruptivo nas linhas de passe (1.2 roubo por jogo em 19-20).


Caso seja selecionado em qualquer posição fora do top 10, Mannion tem – em nossa visão – tudo para ser um dos principais steals da classe de 2020, construindo uma longa carreira como titular e até mesmo um dos pilares de uma equipe competitiva na liga.