Embora a combinação de envergadura e atleticismo sozinha não garanta o sucesso de um jogador na NBA, cada vez mais scouts e treinadores tem reconhecido esses atributos como determinantes na construção de uma equipe versátil na defesa e capaz de colocar pressão no aro adversário quando atacando.

O executivo John Hammond há muito acredita na fórmula – tendo selecionado jogadores como Brandon Jennings, Larry Sanders, John Henson e, claro, Giannis Antetokounmpo em seus tempos de Bucks, seguindo uma abordagem que, embora não lhe tenha rendido o título da NBA, lhe garantiu o prêmio de executivo do ano em 2010.

Agora Gerente Geral do Magic, Hammond tem buscado repetir a fórmula. Em pouco mais de três anos no cargo, ele já adicionou ao menos 6 jogadores de reconhecidos pela envergadura acima da média em: Al-Farouq Aminu, Chuma Okeke, Wesley Iwundo, Mo Bamba, Jonathan Isaac e Markelle Fultz.

Esses dois últimos – aliás ocupam a 9ª colocação de nosso Top 10 das duplas sub-23 mais promissoras da NBA justamente pelo potencial disruptivo conferido pelos braços longos e a abençoada condição atlética.
Poucos jovens jogadores foram tão disruptivos quanto Isaac e Fultz na temporada 2019-2020.

Antes de hiper-extender o joelho esquerdo em seu 32º jogo na temporada e ficar fora das quadras desde então, Isaac se consolidava como um dos principais candidatos a compor o primeiro time de defesa da liga – ocupando a 9ª colocação em desvios por jogo (3.3) e a 2ª em tocos, entre todos os jogadores da NBA, com 2.4 por partida.

Impacto fora da bola este somado à sua tremenda atuação como defensor individual – onde usou sua agilidade acima da média no perímetro para se manter em frente de jogadores menores (impactou o aproveitamento dos adversários em 3% negativos na linha dos 3-PT) e o acréscimo de força para conter jogadores de garrafão (impactou o aprov. em 6.2% negativos em chutes para 2-PT).

Dono de uma envergadura de 2,16m e o já mencionado excelente atleticismo, Isaac pode se ‘dar ao luxo’ de se manter disciplinado e reagir ao movimento do adversário depois da execução – exibindo enorme capacidade de recuperação.
Essa combinação de braços longos, atleticismo e o ganho de força física fez dele um verdadeiro pesadelo para alas-pivôs – dentre os quais ‘engoliu’ jogadores como Kristaps Porzingis (2-9 contra Isaac), Anthony Davis (2-7) e Paul Millsap (2-8).

Fultz, seu companheiro, embora ainda inexperiente na defesa individual, onde mostrou a faceta de ‘quase-rookie’ ao comprar diversos pump fakes de maneira desnecessária e ser posto em má posição constantemente a partir do uso de ‘jab steps’ simples de seus adversários, pôde exibir o potencial que seus instintos de antecipação e a envergadura de 2,06m lhe conferem fora da bola.

Em seu primeiro ano ultrapassando a marca dos 20 jogos, o ex-jogador da Universidade de Washington foi o segundo em sua equipe em desvios por jogo (2.2) e só ficou atrás dos pivôs Nikola Vucevic e Mo Bamba, e do especialista Isaac, em média de contestações – com 6.5.

Além da presença fora da bola, os atributos físicos de Fultz lhe conferem ainda ótimo potencial para defender múltiplas posições futuramente – característica que se soma à versatilidade de Isaac e dará ao Magic a possibilidade de diminuir a efetividade de screens do adversário com o uso de constantes trocas defensivas.

A atuação dos dois jovens – somada à filosofia do treinador Steve Clifford, foi ainda – já em 19-20 – crucial para que o Magic ocupasse a 5ª colocação pré-allstar game (enquanto o primeiro esteve saudável) entre as defesas que menos sofreram pontos no garrafão, a despeito de ter em Vucevic um pivô de pouca presença na proteção do aro.

Sabemos, claro, que falar sobre a versatilidade defensiva de uma jovem dupla não é algo tão ‘sexy’ quanto comentar sobre o potencial explosivo no ataque de uma outra.

Acreditamos, porém que – na prática, a combinação de Isaac e Fultz, sobretudo se for somada com a continuidade do desenvolvimento de Mo Bamba, poderá render temporadas vitoriosas para o Orlando Magic nos próximos anos.