A queda no vertiginosa no aproveitamento na bola dos 3-PT em relação à sua segunda temporada na NBA (de 37.1% em 18-19 para 30.7% em 19-20) brecou a explosão definitiva de De’Aaron Fox (Kings) como uma estrela na NBA.

Apesar disso, ele segue em uma trajetória consistente para entrar no grupo de elite de sua posição ao se consolidar como um dos armadores que mais e melhor colocam pressão no aro adversário – seja na meia quadra ou na transição, bem como um dos guards mais disruptivos da liga no lado defensivo.

O ex-jogador de Kentucky tem justificado as comparações que recebera com John Wall, outro ‘Wildcat’, nos momentos pré-draft ao utilizar o fato de ser um dos jogadores mais velozes da NBA, bem como possuir ótima combinação de força física e explosão vertical, para se colocar no topo das mais diversas estatísticas que medem o impacto do atleta em situações de infiltração.

Constantemente, Fox força defesas a se concentrarem no centro do garrafão – criando superioridade numérica para seus arremessadores no perímetro.

O jovem de 22 anos ocupa o Top 10 da liga em: infiltrações por jogo (5º – com 18.8); pontos gerados a partir de suas infiltrações (8º – com 10.7); assistências criadas nessas situações (7º – com 1.8); média de lances-livres entre os guards (8º – com 6.8); média de cestas no garrafão (5º – com 5.6, com 53.3% de aprov).

Tamanha habilidade de unir – ao mesmo tempo – volume e eficiência no âmbito das ‘pisadas na área pintada’, impressionam se considerarmos que sua falta de consistência no arremesso de fora facilita com que defesas optem por ir para ‘trás’ do bloqueio em cenários de PnR e mantenham distância segura em situações de um contra um para evitar que Fox dispare em relação à cesta.

Para fazê-lo, o armador do Kings usa um controle de bola compacto, um trabalho de pés afiado – que o permite passar rente a screens e manter equilíbrio ao utilizar movimentos avançados como eurosteps próximos ao aro, além de uma subestimada fisicalidade para abrir espaço em cenários que seu defensor está até bem posicionado.

Essas características o tem colocado, por exemplo, no raro grupo dos guards eficientes em situações de PnR que não se constituem em ameaças reais em pullups de longa distância (60.6th percentile).

Índice superior ao de outros guards para os quais a dificuldade para punir ‘unders’ em pick and rolls também está presente como Lonzo Ball (12th), Jrue Holiday (37th), Dejounte Murray (32th), Ricky Rubio (36th), Ja Morant (58.2) e, o mais extremo dos casos, Ben Simmons (43.6th).

Tamanha eficiência para pisar no garrafão, mesmo em cenários de grande dificuldade, permitiu que Fox tivesse números expressivos também no âmbito do aproveitamento dos arremessos de quadra (47.5% FG) e das assistências por turnover (6.8 ASTS e 3.1 TO – 2.1 ASTS/TO).

Todos esses fatores nos oferecem uma dimensão assustadora do quão impactante Fox será em um futuro próximo, caso recupere a habilidade de converter arremessos longos ao nível ‘decente’ que converteu em 18-19, fator que irá criar um verdadeiro cenário de cobertor para a defesa adversária.

Não bastasse o tremendo potencial ofensivo, Fox é ainda um dos melhores jovens de sua posição no lado defensivo da quadra – apoiado nos mesmos atributos físicos que fazem dele um pesadelo como slasher, mas também em sua competitividade e instintos para usar sua ótima envergadura de 1,98m para ser disruptivo nas linhas de passe.

Em 19-20, o armador tem liderado sua equipe em desvios por jogo – com média de 3, e é o 9º entre os guards da liga no quesito.

Sua força física – combinada a seus braços longos – lhe dão ainda versatilidade posicional na defesa, elemento fundamental em uma liga na qual as equipes tem nas trocas defensivas cada vez mais uma estratégia central em suas filosofias.

Na atual temporada – Fox passou 20% de suas posses defendendo alas individualmente.

Tudo isso faz com que o consideremos subvalorizado nas conversas que discutem os melhores ‘jovens armadores’ da NBA. Nos surpreende, por exemplo, que jogadores como Ja Morant e Trae Young sejam constantemente colocados à sua frente sempre com muita facilidade.

O fato dessa nossa avaliação sobre Fox ser ‘mais alta’ do que a maioria dos analistas e torcedores por si só justifica a presença da dupla formada por ele e seu companheiro Marvin Bagley compor a 8ª colocação desse top 10 – a despeito das seguidas lesões do segundo.

Acima disso, porém, consideramos que – se saudável – Bagley poderá se tornar, ele mesmo, um dos jovens mais excitantes de sua posição.

Sua combinação de explosão atlética, mobilidade e velocidade acima da média para um jogador que flutua entre as posições 4 e 5, além de excelente toque na bola com sua mão esquerda poderá fazer dele um mismatch constante para os ‘homens grandes’ da liga.

Durante o trecho final da temporada 18-19, o canhoto – então calouro – deu sinais do jogador que poderá ao usar seus componentes físicos para abusar de equipes em cenários de transição, colocar enorme pressão no aro como espaçador vertical em situações de PnR, bem como se estabelecer como um jogador difícil de ser contido na tábua ofensiva de rebotes (média de 3 por jogo nas últimas 15 partidas da temp.; 26.8 min de média no período).

Tivesse permanecido saudável ao longo da atual temporada – e repetido o desempenho exibido nas últimas partidas de seu ano de estreia, aliás, Bagley poderia facilmente ter impulsionado a dupla do Kings para um posto no Top 5 dessa lista.