Antes mesmo da lesão sofrida por Joel Embiid (76ers) no dia 6/01 – contra o Thunder, lesão esta que o tirou dos 8 jogos subsequentes de sua equipe na temporada, diversos analistas apontavam que Philadelphia teria de fazer uma escolha entre ele e Ben Simmons a fim de maximizar suas chances de brigar por títulos nos próximos anos.

Esses apontamentos se baseavam no fato de que o skillset de ambos está longe de se complementar:

Embiid, cujo principal atributo é sua habilidade de dominar pivôs adversários nos posts médio e baixo – abusando de marcações individuais e atraindo dobras, tem em Ben Simmons um limitador de espaçamento para seu jogo, ao passo que a defesa pode simplesmente ‘ignorar’ o australiano no perímetro – por sua resistência em ao menos tentar arrmessos da linha dos 3-PT – congestionando o garrafão.

Já Simmons – que sem um arremesso de fora tem como principal atributo a habilidade de encontrar arremessadores no perímetro após concentrar a defesa no garrafão com suas infiltrações atléticas e/ou a vantagem física que apresenta contra a maioria dos armadores no garrafão, tem em Embiid também um limitador de espaçamento, já que a presença constante do ‘grandão’ por ali impede que o 76ers atue ‘ao esitlo Bucks’ – com 5 abertos – liberando as linhas de infiltração com o faz para Antetokounmpo (Embiid até se esforça com suas 3.7 tentativas longas por partida, mas converte apenas 31.6% de fora na carreira e 32.2% em 19-20).

Sem nenhuma dose de coincidência, a ausência de Embiid nos últimos 8 jogos tem maximizado substancialmente o impacto ofensivo de Simmons nas partidas.
O armador que até então acumulava média de 14.9 PTS com 56.3% FG, saltou para 20.8 PTS e 63.3% FG no período sem Embiid, além de ir à linha do lance-livre com mais frequência (5.9 sem Embiid, contra 4.6 com ele).

Ao observarmos ‘de onde vêm seus arremessos’, fica ainda mais claro que – com uma quadra mais espaçada – Simmons chega ao aro com muito mais frequência. Sem Embiid, ele tenta 10.4 arremessos na área restrita por jogo (71.1% de aprov). Com ele, 7.9 (67.7%).

Suas oportunidades atuando fora da bola também crescem – muitas vezes ocupando a posição 5 no alto de seus 2,08m de altura e 104kg. Com Embiid, seu número de tentativas como ‘cutter’, nas quais não tem de driblar antes de finalizar é de 3.7. Sem ele, de 4.8.

A sequência sem Embiid tem, enfim, enfatizado aquilo que os analistas já desconfiavam: Simmons rende mais sem o camaronês.

Resta agora ao treinador Brett Brown encontrar formas de fazer o ‘duo’ extremamente talentoso funcionar junto em quadra ou a diretoria terá de, inevitavelmente no médio prazo, tomar uma decisão entre qual das jovens superestrelas manter. Mesmo porque, trocando um dos dois o 76ers não estará apenas ‘abrindo mão’ de ter um deles em seu elenco, mas poderá acrescentar peças importantes e de melhor encaixe.