O sucesso ofensivo de Trae Young e John Collins é ancorado na jogada mais tradicional da NBA no que se refere ao jogo de dupla: o pick and roll.

Ameaça constante com seu pullup de longa distância, Young força os adversários a estenderem a defesa a até dois passos da linha dos 3-PT nesses cenários e, com um tremendo controle de bola que o permite manter o drible vivo em situações de dobra e pressão – além da habilidade de executar passes de alto grau de dificuldade em movimento contínuo com o drible, desmonta coberturas defensivas para colocar sua equipe em situações de superioridade numérica com frequência.

Resultado: em seu segundo ano na NBA, o ex-jogador da Universidade de Oklahoma já se coloca na elite da NBA no quesito (83.9th percentile) e – mais do que isso – oferece a Collins a oportunidade de utilizar seu atleticismo e excelente toque ao redor do aro contra garrafões despovoados, muitas vezes tendo de bater apenas a ajuda vindo do lado fraco da defesa.

Com o trabalho facilitado por seu armador, o jovem ala-pivô se coloca no topo dos finalizadores de PnR da liga (83.6th percentile) e, embora não tenha a potência de Amare Stoudemire em seu auge, é para Young uma opção semelhante à que ‘Stat’ era para Steve Nash nos períodos de Phoenix Suns.

Além da eficiência como ‘roller’, aliás, Collins tem expandido seu repertório ao se tornar uma opção para lá de confiável também em cenários de pick and pop.
Essa dinâmica tem colocado a defesa em uma situação absolutamente desconfortável: ou oferece a ele chutes pouco contestados ou oferecem linhas de infiltração para Young – um dos principais drivers da NBA, a despeito do físico pouco sugestivo.

Por enquanto, apesar de Collins ter convertido impressionantes 42.5% de aprov. em cenários de catch and shoot para 3-PT – a defesa tem optado pelo primeiro cenário, escolha exposta no fato de que 97% de seus arremessos longos vieram de cenários ‘wide open’ (defensor mais próximo a pelo menos 1.8 metro de distância) ou ‘open’ (defensor mais próximo a ao menos 1.2m de distância).

Definição literal de dupla no jogo de PnR, ao passo que seus conjuntos de habilidades complementam e enfatizam uns aos outros, o ‘duo’ do Hawks possui ainda enorme potencial para alcançar sucesso também no jogo de transição.

Aos 23 anos de idade, Collins já se estabeleceu como um dos melhores rim runners do jogo (94.8th percentile na transição!) e tem em Young um sophmore que já prova ser capaz de ditar um ritmo veloz nas partidas não apenas pela a velocidade puxando a bola na transição, mas também pela visão de jogo e o altruísmo para avançar a bola com passes sempre que possível (Hawks é o 6º no ranking de pace da liga).

Para traduzir toda essa química no jogo ofensivo em vitórias, no entanto, a dupla do Hawks terá de contar com um elenco complementar capaz de cobrir algumas de suas deficiências físicas no lado defensivo da quadra.

Dono de medidas abaixo da média para a posição (1,85m de altura, envergadura de 1,88m e só 82kg), Trae Young deverá ter os atuais problemas na defesa individual como tópico constante ao longo de toda sua carreira na liga – sobretudo em uma era em que treinadores exploram a facilidade com que os adversários trocam defensivamente para isolar seus principais scorers em possíveis mismatches.

Collins, por sua vez, apesar de ágil e atlético para mover os pés no perímetro contra alas e alas-pivôs móveis (impactou o aproveitamento médio dos adversários em -2.2% nos arremessos de 3-PT em 19-20) tem na envergadura mediana (2,11m) e no fato de não possuir uma base forte o suficiente para manter posição contra ‘homens grandes tradicionais’ um calcanhar de aquiles a ser explorado.

Na atual temporada, a antiga máquina de duplos-duplos da Universidade de Wake Forrest não chegou a impressionar como protetor de aro (impactou o aproveitamento médio dos adversários no garrafão em -4.9 – sua pior marca desde que chegou à NBA) e foi presa fácil em matchups contra pivôs, permitindo um aproveitamento de 52.6% nas 554 posses de bola em que os defendeu ao longo do ano.