Há 20 dias do reinício da liga – depois de 3 meses de paralisação, fomos em busca de outros nomes que consideramos estarem prontos para apresentar uma evolução importante durante os jogos realizados na ‘bolha’ montada no complexo da Disney.

Nesta primeira de três edições da série ‘Prestes a Explodir – Edição Disney’, analisamos os sinais encorajadores dados pelo armador Markelle Fultz (Magic) nos jogos que antecederam a parada por conta do novo coronavírus:

3.8 assistências para cada turnover cometido. Nenhum outro jogador da NBA teve tamanha eficiência ao balancear a criação de jogadas para os companheiros com o cuidado com a bola quanto Markelle Fultz nas últimas 12 partidas da temporada.

Dono de uma média de 7 ASTS e 1.8 TO no período, o ‘terceiro-anista’ – de pouquíssimos minutos em seus dois primeiros anos – deu todos os indícios de ter encontrado sua zona de conforto e ritmo na liga.

Aos 22 anos, Fultz exemplificou na íntegra todos os benefícios que a habilidade de colocar os pés no garrafão do adversário com frequência a partir de infiltrações é capaz de oferecer.

A despeito de ainda não inspirar temor nos adversários em arremessos de 3-PT, o jovem tem se consolidado como um dos melhores da liga em situações de infiltração, usando sua combinação de tremendo atleticismo, ótimo controle de bola (destaque para as variações de velocidade) e a vantagem de força sobre a maioria dos matchups para criar espaço mesmo contra coberturas ‘under’ em PnR’s.

Até aqui, ele tem média de 12 infiltrações em 19-20 – mesmo número de Ben Simmons, mesmo com uma média de 7.5 minutos menor que a estrela do 76ers.
Essa capacidade de chegar até o aro, combinada com a envergadura de 2,06m e a habilidade de finalizar com ambas as mãos, o permitiu converter 62.3% de suas 4.4 tent. na área restrita no acumulado da temp. e cintilantes 67.3% (4.6 tent.) nos últimos 12 jogos.

Ok, mas porque ele vai explodir na Disney?

Acontece que, embora tenha sido capaz de colocar pressão no aro do adversário desde o início de 19-20 – foi nos últimos 12 jogos que Fultz mostrou ter ‘total controle de seu jogo’ para punir qualquer comportamento da defesa nesses cenários.

Ele tem jogado no seu ritmo. E nenhuma pressão defensiva parece ter sido capaz de fazê-lo ‘acelerar’ mais do que ele deseja.

Essa habilidade de atuar sob controle a partir das infiltrações tem rapidamente lhe transformado em um dos melhores da liga em situações de ‘drive and kick’ e ‘drive and dish’, lembrando o armador Derrick Rose em seu auge no Chicago Bulls.

Repare como a capacidade de Fultz engajar múltiplos defensores em suas infiltrações impacta diretamente a qualidade dos arremessos criados para seus companheiros.
Quando assistido pelo jovem, Nikola Vucevic e Aaron Gordon converteram respectivos 54.7% e 46.2% de seus FG’s – enquanto Evan Fournier matou 37.1% de suas bolas de 3-PT.
Já quando DJ Augustin é o playmaker, esses aproveitamentos caem para 45.5%, 31.9% e 32%.

Outro fator que nos dá confiança de que Fultz será capaz de fazer barulho no retorno da NBA é sua significativa evolução em situações de pullup na meia distância – antídoto que será fundamental em seu repertório nos playoffs em um matchup provável contra o Toronto Raptors.

O time canadense é um dos mais eficientes da liga na utilização de ‘drop coverages’, ou seja, em manter o pivô em posição mais profunda no garrafão, oferecendo ao ball handler o arremesso próximo da linha do lance-livre.

Nas últimas 12 partidas, Fultz tem sido excepcional punindo a defesa nessas situações. Matando 65.5% de uma média de 2.4 tent. na meia distância no período – indicando que será eficiente também em situações em que o ‘scouting report’ buscar retirar sua habilidade como infiltrador.

Por tudo, não temos dúvidas que a 1ª escolha do draft de 2017 ainda será uma estrela na NBA, mas – mais do que isso – acreditamos que seu impacto como tal já passará a ser sentido a partir do próximo dia 30/07.