O armador francês Killian Hayes (Ratiopharm Ulm) tem sido um dos prospectos mais polarizadores da classe de 2020.

De um lado, analistas que acreditam que sua combinação de medidas de elite para a posição (1,96m de altura; envergadura de 2,05m), a ótima visão de jogo e a habilidade de executar todas as leituras de PnR com precisão como passador e o toque macio na bola em floaters e arremessos de meia distância são suficientes para posiciona-lo como um prospecto top 3 do draft de 2020.

Do lado oposto, scouts que – como nós – acreditam que seu atleticismo apenas mediano e a falta de versatilidade como arremessador de longa distância negarão boa parte de sua efetividade na NBA, em ambos os lados da quadra.
Hayes é inteligente e tem sólidos fundamentos de drible, passe e arremesso. Não nos entenda mal. Ele vai ser um jogador de NBA.

A questão é: até onde vai seu potencial de crescimento?

Na defesa individual, sua falta de agilidade lateral irá torna-lo um alvo a ser explorado por armadores atléticos e velozes – e, provavelmente, o levará a ter de ser ‘escondido’ por seus treinadores em matchups contra o jogador menos perigoso do adversário (claro que, na NBA atual – onde as trocas defensivas são constantes – o treinador adversário irá tentar forçar trocas para explora-lo em ISO’s).

Hayes, é verdade, mitiga um pouco dessa lacuna individual com bons instintos, entendimento tático e a já mencionada enverg. de elite para ser disruptivo no aspecto coletivo.

No lado ofensivo, o jovem deverá se apoiar consideravelmente em sua habilidade como jump shooter para ter qualquer chance de ‘virar a esquina’ a fim de colocar pressão no garrafão adversário – seja como finalizador ou como playmaker em situações de infiltração + passe, já que está longe de possuir um primeiro passo forte o suficiente para ultrapassar seus adversários negando bloqueios e/ou atacando closeouts pouco agressivos.

Não conte com ele para, por exemplo, conseguir toques na área pintada mesmo contra coberturas ‘under’ (quando o defensor vai para baixo do corta-luz) no pick and roll – como conseguem jogadores explosivos como Ja Morant e De’Aaron Fox (mesmo eles, têm tido problemas contra defesas que se comprometem a tirar linhas de infiltração, cedendo espaço para que eles arremessem de longa distância).

O problema é que, até aqui – apesar de bom toque, Hayes não transmite confiança em sua habilidade de traduzir a eficiência na meia distância (e na linha do LL) para a linha dos 3-PT, não apenas pelo terrível aprov. ao longo de sua trajetória (converteu menos de 30% das bolas de 3-PT no Euro sub-16 e no adidas Eurocamp, em 2017; na Copa do Mundo sub-17, em 2018; e acumulado das competições por sua equipe na última temp.).

Pior ainda do que diminuir sua efetividade como ‘lead guard’ a preocupação quanto ao arremesso longo e o atleticismo mediano minimizam sua versatilidade posicional (que valor ele trará, fora da bola, caso não seja uma ameaça como slasher ou shooter?).

À essa altura, Hayes dá toda a pinta de ser sexto homem utilizado para – com sua ótima tomada de decisão e versatildiade como passador, comandar uma equipe contra lineups menos explosivos ofensivamente (contra os quais ele será ‘menos exposto’ na defesa individual).

De novo, não significa que ele ‘não será jogador’. Mas certamente não parece merecer ser selecionado no Top 10 do draft de 2020.