Embora o basquete seja um esporte coletivo, a influência exercida por determinados jogadores pode – em alguns casos – ser a fronteira que separa o sucesso ou o insucesso de uma equipe.

Na temporada 2019-2020 da NBA, nenhuma figura representou melhor esse cenário do que o armador Chris Paul (Thunder) – ‘pedra fundamental’ sobre a qual o treinador Billy Donovan fundou todo o sistema de jogo do OKC, maior surpresa da atual edição da liga.

Enquanto a maior parte das equipes da liga se concentram em formatar sistemas ofensivos velozes e com certa fluidez na maneira com que a bola se move nas mãos de diversos playmakers convidados a ‘ler e reagir’ ao comportamento da defesa constantemente, o Thunder segue uma filosofia simples: dar a bola na mão de Paul e deixar que ele tome as melhores decisões.

Reflexo dessa abordagem é o fato do da equipe ocupar a 3ª colocação no ranking que posiciona as equipes de acordo com a relevância do jogo de pick and roll em seu conjunto de jogadas, bem como no ranking de ‘ISO’s’ por partida.

Não por acaso – esses dois tipos de jogada ocupam também a maior parte do repertório de CP3 em 19-20, correspondendo, somadas, por 66.2% das participações do armador nas partidas.

Mais do que volume, é claro, o desenho do ataque ao redor dos pontos fortes do veterano tem trazido resultado no âmbito da eficiência.

Tal como tem sido em toda a carreira, Paul é, na atual temp., o melhor jogador de PnR em toda a NBA (94.9th percentile) e – por consequência – tem impulsionado o Thunder ao grupo de elite da jogada enquanto equipe (86.2th percentile).

Por esse motivo, o Thunder não se incomoda em ‘nadar contra a maré’ do restante da liga e deixar a bola dormir nas mãos de Paul por longos segundos de posse de bola.

Em 47% das vezes que a toca, CP3 permanece com a laranjinha por 6 ou mais segundos – se constituindo na principal razão pela qual o Thunder é apenas o 20º no ranking de pace, com média de 99 posses por jogo.

Esse conforto para atuar na meia quadra produzido pelo armador, aliás, é razão direta para o sucesso do Thunder também no lado defensivo.

Ao ditar um ritmo lento, a equipe controla o ímpeto dos adversários no jogo de transição, característica ilustrada pelo fato de OKC ser a equipe que sofre menos pontos de contra-ataque em toda a NBA, com média de 10.5.

Não bastasse ter sua ‘impressão digital’ espalhada por todo o desenho do jogo do Thunder e permitir com que a equipe controle o ritmo das partidas a fim de minimizar a falta de poder de fogo na comparação com boa parte dos times da liga, CP3 tem ainda assumido papel de closer.

Com 146 pontos em situações decisivas no ano, Paul lidera a NBA no quesito. E o faz de maneira para lá de eficiente: convertendo 53.5% de seus arremessos de quadra nessas situações.

Argumentos postos, deixamos nossa pergunta: onde é que o Thunder, 5º colocado do Oeste – logo acima do Rockets de James Harden e Westbrook, estaria posicionado na conferência sem o futuro atleta do hall da fama do basquete?