Um olhar um pouco distraído pode sugerir que o início da carreira do ala Deni Avdija (Wizards) na NBA está sendo ligeiramente decepcionante.

Afinal, o israelense chegou à liga carregando a expectativa de ser um prospecto mais pronto do que um novato comum – ao passo que passou os últimos 15 meses exercendo papel importante no elenco principal do Maccabi Tel-Aviv, uma das principais equipes do basquetebol europeu.

A ‘impressão geral’ de decepção, no entanto, acaba perdendo todo o sentido quando lançamos uma lupa sobre seu desempenho em quadra e, claro, alguns dos números que ilustram de forma objetiva este olhar mais aproximado.

Atuando em uma equipe comandada por duas estrelas consagradas na NBA – em Beal e Westbrook, complementada por um veterano de contrato recém renovado, em Bertans, e jovens em busca de afirmação na liga, casos de Hachimura e Bryant, Avdija tem sido convidado a ser paciente e se concentrar na execução das ‘pequenas coisas do jogo’.

Com 5.6 arremessos por jogo, ele é o 8º com mais chutes do elenco de Washington. Pior do que isso, o novato não tem sido envolvido na construção esquemática do ataque de sua equipe – e seus chutes acabam vindo exclusivamente de situações de ‘desafogo’ para os companheiros (57.1% de seus arremessos partem da linha dos 3PT).

Tradicionalmente, até mesmo veteranos encontram problemas para encontrar consistência e ritmo nesses cenários – nos quais não sabem de onde, nem quando suas oportunidades ofensivas virão.

Avdija tem, no entanto, fugido à regra – e se mantido extremamente consistente a despeito da situação desafiadora.

Com 45.7% de aproveitamento na linha dos 3-PT (3.2 tentativas), ele se coloca na elite da atual temporada quando o assunto é ‘spot up’ (86.1th percentile). Mais do que isso, tem aproveitado da melhor maneira possível suas raras oportunidades de criação como playmaker secundário, distribuindo 2.2 assistências por jogo com um índice de assistências por turnover de 3.6.

Apesar de integrar o grupo da 2ª pior defesa da liga, Avdija tem extendido sua maturidade e consistência de jogo também nesse lado da quadra – não apenas traduzindo a já projetada excelente leitura de jogo e os instintos de antecipação para ser disruptivo fora da bola, se colocando como o 2º em desvios por jogo no elenco do Wizards com 1.8, mas também fazendo trabalho promissor na defesa individual de perímetro, onde exibe uma agilidade lateral acima das expectativas e mostra muito conforto para se manter em frente de ball handlers ágeis em espaço (diminui o aprov. médio dos adversários em 6.2% em chutes vindos do perímetro até aqui).

Outro fator encorajador do início da carreira do israelense na NBA é o fato dele estar mantendo seu alto nível de competitividade característicos (um dos jogadores de maior ‘paixão pelo jogo’ em toda a classe), mesmo com pouquíssimos toques na bola e o fato de integrar uma defesa coletiva capaz de influenciar negativamente o engajamento de qualquer atleta.
Avdija é, até aqui, o 3º jogador que mais contesta arremessos no elenco do Wizards (7.1 por jogo) e, mais do que isso, ocupa o top 3 – tanto em arremessos do perímetro (2º com 3.1, atrás de Russell Westbrook), quanto nos arremessos próximos ao garrafão (3º com 4, atrás de Thomas Bryant e Robin Lopez).

Em suma, o que quero mostrar, é que – embora os ‘números de box score’ possam indicar uma percepção contrária – Avdija tem confirmado as expectativas de ser um novato maduro e pronto para exercer, com competência e solidez, o papel a ele solicitado.

Quando a oportunidade de ser mais envolvido nas ações ofensivas do sistema de Scott Brooks, não tenho dúvidas que o israelense apresentará um salto proporcional em seus números.