Descrição do papel: o protetor de aro moderno necessita não apenas alterar e bloquear arremessos no garrafão, mas também possuir uma mobilidade suficiente para se manter em frente de guards adversários em coberturas médias e/ou (preferencialmente) altas em PnR’s. No ataque, esse jogador tem a missão de realizar bons corta-luzes e ser uma ameaça para pontes-aéreas próximo ao aro.

Top da liga no papel: Anthony Davis (Lakers)

Prospecto analisado: James Wiseman (Grizzlies), 2º no Mock Draft; nº 1 no papel

Análise das atribuições do papel

1 – Impacto e alcance na proteção do aro

James Wiseman – Dono de uma enverg. monstruosa de 2,30m e muita técnica para alterar arremessos, seja explodindo para bloquear com a mão externa, sem cometer faltas, ou mantendo os braços levantados a fim de forçar os adversários a arremessarem por sobre ele, Wiseman será, sem dúvidas, um protetor de elite na NBA.
Em suas 3 partidas no basquete universitário, o pivô anotou média de 5.2 tocos a cada 40 minutos em quadra.

Não há dúvidas que Green se tornará um defensor positivo no próximo nível.

Onyeka Okongwu – Apesar de não possuir uma envergadura mais do que ‘só boa para a posição (2,16m), o pivô de USC se vale de excelentes instintos e muita mobilidade para reagir rapidamente nas rotações e ser um fator na proteção do aro (2.7 tocos em 19-20).

Sua condição atlética, somada aos já mencionados instintos defensivos, o permite defender ‘dois jogsdores ao mesmo tempo’ em cenários de PnR, contendo a bola e retornando rapidamente ao matchup inicial de maneira bastante similar a Jaren Jackson Jr. (Grizzlies).

Vernon Carey Jr. – Diferente de Wiseman e Okongwu, o pivô de Duke não tem a mobilidade e o atleticismo requeridos para estar em ‘vários lugares ao mesmo tempo’ em situações de ‘contenção seguida de recuperação’.

Em marcações drop, nas quais se mantém com os pés próximos à área pintada – no entanto, Carey Jr. mostra ótimo timing e a habilidade de se manter equilibrado após receber contato quando usando a verticalidade (muito forte, 122kg) para impactar positivamente a proteção do aro, não apenas com tocos (1.6 em 19-20), mas também alterando a trajetória de arremessos.

Sua envergadura de ‘apenas’ 2,16m e a falta de uma explosão atlética como a de Okongwu, no entanto, devem limitar sua habilidade de ser um protetor de aro mais que ‘ok’ na NBA.

Udoka Azubuike – Longe de ser o atleta mais explosivo, o pivô se apoia na monstruosa envergadura de 2,30m e bons fundamentos táticos para antecipar rotações a fim de se colocar entre a bola e a cesta.

Tal como Carey Jr., Azbuike não é um jogador que os treinadores utilizarão em marcações muito altas – longe da cesta. Em drops e marcações em zona nas quais possa se concentrar quase que exclusivamente em ‘patrulhar o garrafão’, tal como atuou em cansas o nigeriano de 21 anos não deixa dúvidas de que poderá ser efetivo em qualquer liga do mundo na proteção do aro (3.4 tocos por 40 min. no acumulado de seus quatro anos na NCAA).

Nick Richards – Pivôzão magro, longo (enverg. de 2,23m) e explosivo, Richards cumpre à risca o protótipo de jogadores a quem se pede para ‘tentar bloquear tudo ao redor do aro’ nos poucos minutos em que permanecem em quadra, ao estilo JaVale McGee.

Em Kentucky, seus excelentes atributos físicos o permitiram ser para lá de efetivo na proteção do aro em situações de ajuda – a despeito da indisciplina tática e instintos questionáveis de antecipação (2.1 toco em 19-20).

2 – Entendimento de ângulos e fisicalidade nos corta-luzes

James Wiseman – aos 19 anos de idade, Wiseman parece ter entendido desde muito cedo que conseguir contato ’em cheio’ em screens é uma das formas mais fáceis de um pivô se desmarcar para receber a bola no ataque.

O pivô tem ótima técnica para executar corta-luzes ‘largos’, no limite da ilegalidade, e estabelece constante contato visual com seu ball handler para ‘negociar com ele’ o melhor ângulo do ‘corta’ para aquela situação.

Onyeka Okongwu – acostumado a jogar de frente para a cesta, abusando da transição nos tempos em que dividiu a quadra com ‘os irmãos Ball’ nos tempos high school, Okongwu ainda carece de fundamentos mais polidos da posição na meia quadra. Sua angulação em corta-luzes e o entendimento da cobertura defensiva para executar os chamados ‘slip screens’ (quando o pivô aborta o bloqueio e corre para a cesta) ainda pode e deve melhorar.

Como ponto positivo, Okongwu tem o gosto pelo contato.

Vernon Carey Jr. – com o corpo construído como um jogador de NFL, o jovem é um pesadelo para adversários como screener. Não bastasse o fato de seu corpo largo ocupar muito espaço e dificultar o trabalho dos guards no momento de ir ‘ao redor’ dos cortas, Carey Jr. tem muito fundamento no quesito, lendo a posição dos defensores adversários para angular, quase sempre paralelo à bola.

Na NBA, tal característica deverá ser efetiva quando usada longe da bola, em bloqueios para liberar arremessadores em pindowns. Na bola, no entanto, apesar de liberar seus armadores inicialmente com frequência, facilita a recuperação da defesa adversária com a pouca ameaça que representa como ‘roller’ em situações de pick and roll.

Udoka Azubuike – semelhante a Carey Jr. no quesito, mas com a experiência à seu favor – Azubuike é, provavelmente, o melhor screener da classe. Sua fisicalidade e gosto pelo contato é a principal razão pela qual o comparamos a Kendrick Perkins, ex-Celtics.

Fora da bola, é quando Azubuike fará seus maiores estragos como screener. Mas, embora em momentos esporádicos, também poderá ser uma ameaça em PnR’s no centro da quadra.

Nick Richards – O pior dos 5 no quesito. Tem dificuldades para angular seus corta-luzes e, pior que isso, se mostra ansioso para ‘rolar para a cesta’ antes mesmo e realizar o ‘contato em cheio’ com o adversário.

3 – Atleticismo e gravidade ao redor do aro

James Wiseman – muito mais móvel do que se espera de um atleta de 2,16m, Wiseman usa ‘pés de bailarino’ para correr a quadra como um guard, muita explosão e força para subir quando embalado. O pivô não chega a ser tão explosivo quando com pouco espaço para ’embalar’, mas faz bom uso dos braços longos para aumentar seu alcance.

Onyeka Okongwu – excelente atleta na quadra aberta, Okongwu será uma ameaça como ‘rim runner’ na transição logo no primeiro minuto que pisar na NBA.

O pivô não é, no entanto, um ‘saltador ultra-explosivo’ quando com pouco espaço para embalar, característica que quando somada à envergadura ‘básica’ diminui seu alcance ao redor do aro e, por conseguinte, seu impacto em cenários de PnR e outros lobs quando no espaço do dunker (quase atrás do aro).

Vernon Carey Jr. – conforme adiantamos nos outros quesitos, a falta de explosão vertical e a envergadura básica do pivô de Duke limita seu impacto em lobs. Carey Jr. encontra, no entanto, formas alternativas de espaçar a quadra verticalmente em situações eventuais – sobretudo quando defendido por jogadores menores que tentem defendê-lo à frente. Nesses cenários, ele faz bom trabalho estabelecendo posição e escorando o adversário para limitar sua capacidade de alcançar passes altos.

Udoka Azubuike – sem a explosão de Wiseman para buscar lobs ‘fora do ginásio’ e colocar pressão no aro como roller em situações de movimento (seja transição ou PnR), Azubuike encontra seu impacto como espaçador vertical a partir da utilização de sua envergadura de elite, atributo que o permite finalizar pontes-aéreas com bom alcance quando na posição do dunker.

Tal como Carey Jr., o pivô se beneficia ainda de boa técnica e do corpanzil para punir ‘fronts’ quando defendido por jogadores menores na área pintada.

Nick Richards – explosivo e veloz, Richards é uma ameaça constante como roller em PnR’s e como rim runner na transição. Sua gravidade ao redor do aro é, aliás, seu principal atributo e mais uma razão pela qual ele herda comparações com o bi-campeão da NBA – JaVale McGee.

4 – Mãos

James Wiseman – tremendas mãos. As melhores da classe. Domina passes difíceis como se estivesse ‘espremendo uma laranja’. Alvo confiável em áreas congestionadas, mesmo em movimento.

Onyeka Okongwu – ótimas mãos. Seus dias de Chino Hills certamente contribuíram para seu enorme conforto na hora de dominar a bola em movimento. Alvo confiável no garrafão.

Vernon Carey Jr. – talvez seu melhor atributo. Com mãos grandes e ‘macias’ ao mesmo tempo, o pivô não tem dificuldades para dominar passes com apenas uma delas como quem segura uma bolinha de tênis.

Udoka Azubuike – um dos nossos maiores questionamentos sobre seu jogo. Azubuike tem mãos ‘ensaboadas’ e não raramente deixa de dominar passes simples, sobretudo quando vindos em situações de drive and dish (quando o playmaker infiltra, invade o garrafão e realiza o passe interno para seu pivô).

Nick Richards – poderia ser um espaçador vertical ainda mais letal caso tivesse mãos melhores ao redor do aro. Tem alguma dificuldade para dominar passes e coordenar a corrida ao mesmo tempo. Mãos parece menores do que seu tamanho sugere.