Descrição do papel: principal criador de uma equipe, responsável por criar movimento ofensivo a partir da geração de superioridade numérica seja batendo seu defensor individual a partir do drible e demandando ajuda e/ou recebendo dobras. O ‘Lead Guard’ de elite tem ainda, em geral, as condições necessárias para criar o próprio arremesso quando necessário

Top da liga no papel: Stephen Curry

 

Análise das atribuições do papel

1 – Criação de movimento ofensivo

LaMelo Ball – Absolutamente contagiante com a bola nas mãos, LaMelo encoraja seus companheiros a correr a quadra a todo momento – mantendo a cabeça em pé, sempre pronto para disparar mísseis com apenas uma das mãos e/ou puxar a bola com muita velocidade.

Na meia quadra, Ball usa seu excelente (e criativo) controle de bola para manter defensores desequilibrados e batê-los sem a ajuda de um bloqueio – característica que o permite atrair a atenção da ajuda e criar superioridade numérica.

Esses mesmos atributos, somados à capacidade de manipular defesas com o olhar e mudanças de ritmo, o permite pisar no garrafão e atrair ajuda interna também em cenários de PnR, mesmo contra coberturas ‘under’.

Tyrese Haliburton – Inteligente e com uma compostura de veterano, Haliburton usa seus 1,96m de altura para encontrar ângulos de passe contra toda e qualquer cobertura em cenários de PnR – e o faz com ritmo, sempre buscando atacar os gaps da defesa a fim de força-la a tomar decisões, característica que o diferencia de outros guards que levam 10 ou mais segundos com a bola nas mãos antes de criar uma ‘ação ofensiva’.

Mais atlético do que lhe dão crédito, o jovem busca ainda puxar o ritmo do jogo com muita frequência em situações de transição – algo que, inclusive, tem lhe rendido comparações com o armador Lonzo Ball (Pelicans).

Nico Mannion O principal prospecto do draft neste quesito. Sua capacidade de criar movimento ofensivo ao conceder ‘energia’ para a bola – sempre tomando decisões rápidas, seja para avança-la com passes simples na transição, movê-la com passes extras ou sendo agressivo em relação à cesta.

Tudo o que Mannion faz é com ritmo e ele não se importa de dar um passe simples e buscar oportunidades de receber a bola de voltas a partir de sua movimentação sem a bola, algo raro em uma era na qual o padrão são guards que passam boa parte do tempo de posse driblando.

Claro que além ‘do ritmo próprio’, o italiano conta com muito skill para atuar da forma com que atua – tendo fundamentos bem consolidados nas principais áreas do jogo (dribla e passa com precisão e seguram com ambas as mãos; arremessa de maneira eficiente em pullups e/ou nas mais diversas situações de movimento em catch and shoot).

Tais características fazem dele alguém que como Stephen Curry e Steve Nash criam uma cultura de ‘altruísmo e prazer pelo jogo’ dentro de suas equipes – algo que quase sempre se reflete em um impacto positivo no nível de esforço dos jogadores e, claro, no entretenimento dos torcedores.

Cole Anthony – Diferente dos três prospectos mencionados anteriormente, Anthony é um desses guards que – quando solicitado a ser o principal criador de sua equipe – tende a ‘tirar o ar da bola’ quicando-a por segundos extensos.

Essa característica levanta, inclusive, questionamentos sobre sua efetividade atuando na posição 1.

Killian Hayes Apesar de mostrar flashes de ser capaz de criar algum ritmo coletivo em situações de transição, Hayes é – na maior parte do tempo – um jogador que dá ‘pouca energia’ à bola.

Sua pouca movimentação sem a ‘laranjinha’ nas mãos e a quase-total dependência do jogo de PnR na meia quadra, o jovem emula o estilo cadenciado e volumoso de nomes como James Harden e Luka Doncic, manipulando a bola ao longo de todo o relógio para passa-la apenas em cenários de assistência direta e/ou arremesso.

A diferença é que por não contar com a fisicalidade e o ‘size’ de ambos, Hayes acaba gerando poucas oportunidades a partir de infiltrações (Doncic liderou a temp. 19-20 no quesito) – se apoiando majoritariamente em arremessos a partir do drible e/ou colocando seus companheiros em situações difíceis no fim do relógio de posse por não ter conseguido criar superioridade numérica colocando os pés na área pintada.

2 – Criação do próprio arremesso

LaMelo Ball – grande calcanhar de Aquiles de seu jogo, seu arremesso inconsistente gera preocupações quanto à sua habilidade de ser um ‘go-to-guy’ consistente no próximo nível. Enquanto provar que pode punir defesas mais ‘conservadoras’ com pullups de média e/ou longa distância, Ball necessitará atuar ao lado de ao menos um jogador capaz de criar o próprio chute ou será exposto a situações que irão machucar significativamente sua eficiência como pontuador.

Tyrese Haliburton arremessador provado em situações de catch and shoot (a despeito da mecânica para lá de não-tradicional), Haliburton não repete o mesmo sucesso em pullups – ao exibir defeitos graves no trabalho de pés na hora de se equilibrar para o chute. Essa lacuna de seu jogo minimiza de maneira importante sua capacidade de criar para si mesmo, ainda que ele tenha vantagem de altura e envergadura sobre a maioria de seus defensores posicionais.

Nico Mannion – aqui mora sua principal lacuna como lead guard. Com uma envergadura de 1,87m e o fato, apesar de ágil, não ser um daqueles armadores que ‘impressionam pela velocidade’ – Mannion tem problemas na hora de criar espaço para si mesmo sem a ajuda de bloqueios, o que prejudica (e muito) sua capacidade de ser efetivo em cenários de ISO e no final do relógio de posse de bola.

Cole Anthony um dos cestinhas mais completos de toda a classe (ficando atrás apenas de Anthony Edwards), Anthony tem um pacote completo para criar espaço para si mesmo, abusando de step backs, side steps antes de disparar seus arremessos com muito equilíbrio.

A ameaça constante do pullup (que força seus adversários a o defenderem de forma mais pressionada, concedendo linhas de infiltração) e o bom controle de bola o permite ainda utilizar sua força física e o controle corporal para iniciar contato a fim de finalizar no garrafão e/ou ir à linha do lance-livre com uma frequência acima da média para a posição (5.8 LL em 19-20).

Killian Hayes – dono de medidas de elite para um lead guard (1,96m de altura e enverg. de 2,04m), Hayes mostra muito equilíbrio em seus ‘fadeaways’ e ótimo toque na meia distância na hora de punir armadores de altura mais tradicional, arremessando sobre contestações.

Sua efetividade nos pullups no chamado ‘mid range’ – característica que replica também na saída de pick and rolls, parando no meio do caminho antes de subir para o chute, é fundamental para lhe permitir ainda utilizar variações de velocidade e hesitações para chegar próximo à área pintada a uma frequência decente e utilizar seu toque macio para conectar floaters.