A classe de calouros da temporada 2019-2020 foi notabilizada pela contribuição incomum que alguns de seus representantes ofereceram em momentos de grande importância, tanto na temporada regular quanto nos playoffs.

Nomes como Ja Morant (Grizzlies), Luguentz Dort (Thunder) e Tyler Herro (Heat) se mostraram à frente da curva natural de desenvolvimento de um novato ao demonstrarem a força mental e a maturidade necessária em momentos de tamanha pressão e, nos casos dos dois últimos – mais do que isso, muito entendimento tático e disciplina para executarem papéis específicos designados por seus treinadores.

Motivados pelo protagonismo desses novatos no último ano, nos debruçamos sobre a classe de 2020 para identificar os prospectos que estarão mais aptos a impactar a competitividade de suas equipes logo no primeiro dia em que pisaram em quadra.

Neste post, nos ateremos aos pontos específicos que nos fazem projeta-los como jogadores ‘prontos para contribuir’ (Clique no nome dos atletas para conferir a análise detalhada sobre cada um deles):

1) Obi Toppin (Dayton): eleito melhor jogador da última temporada universitária, o ala-pivô de 22 anos deverá ser um dos ‘bigs’ mais completos no lado ofensivo da quadra da liga – logo no primeiro dia em que pisar em uma quadra de NBA.

Ultra-explosivo em linha reta, Toppin usará sua habilidade de bater pivôs mais pesados quadra aberta, como ‘rim runner’, para ser um tremendo alvo para equipes que exploram o jogo de transiçao. As mesmas características físico-atléticas, somada à ótima leitura para ‘abandonar corta-luzes’ e correr em direção ao aro nos chamados ‘slip screens’, farão dele ainda um excelente finalizador em cenários de PnR já como novato.

Toppin poderá ainda espaçar a quadra horizontalmente, tanto em situações estáticas de spot up, quanto com algum movimento, nos chamados ‘pick and pops’.
Defensivamente é onde sua imaturidade tática e lacunas técnicas naturais (embora a falta de mobilidade lateral seja uma preocupação também a longo prazo) deverão ‘machucar’ a equipe que confiar a ele uma alta minutagem em 2019-2020.

No cômputo geral, no entanto, Toppin deverá não apenas agregar – e muito – à sua equipe já como novato, mas também se colocar como um dos principais candidatos ao prêmio de calouro do ano.

2) Deni Avdija (Maccabi Tel-Aviv): habituado a atuar altas minutagens no basquete profissional – tendo sido eleito MVP da Liga Israelense pela principal equipe do país, mesmo atuando com diversos jogadores com passagem da NBA a seu lado, Avdija possui a experiência tática necessária para se encaixar em qualquer equipe da liga.Mais do que a experiência, o jovem de 19 anos tem ainda a seu favor o perfil físico versátil (destaque dos 2,06m de altura e boa fluidez atlética) – característica que lhe permitirá ser utilizado em posições diversas por seus treinadores, como uma espécie de ‘coringa’, pronto para cobrir os buracos de acordo com as necessidades de sua equipe entre as posições 2, 3 e 4.

Lacunas como o controle de bola e as dificuldades de equilíbrio no trabalho de pés na hora de criar seu chute a partir do drible dificultarão sua capacidade de atuar como um ponto focal em seu primeiro ano na liga.
Como complemento, no entanto, Avdija está pronto para entregar minutos produtivos em qualquer situação competitiva. Inclusive nos playoffs.

3) Tyrese Haliburton (Iowa State): um dos jogadores mais efetivos da última temporada do basquete universitário pela habilidade de controlar o ritmo do jogo como um verdadeiro armador e líder, Haliburton tem – provavelmente – a melhor tomada de decisões entre todos os jogadores da classe.

Embora tenha comandado um dos ataques mais rápidos da NCAA em 19-20, Haliburton mesclou a velocidade e a criatividade na transição com um ótimo cuidado com a bola (2.9 ASTS por TO na carreira univ.), além de exibir uma seleção de arremessos madura – voltada a enfatizar seus pontos fortes como pontuador (50.4% FG; 41.9% 3-PT – chutes do perímetro focados em cenários de catch and shoot e finalizações próximas à aro na saída de PnR’s e na transição) e minimizar suas dificuldades para criar e matar chutes a partir do drible.

Na NBA, Haliburton será um iniciador de jogadas confiável já como novato – bem como alguém que pode ser utilizado fora da bola como um espaçador horizontal.

4) Robert Woodard (Mississipi State): defensor de boa versatilidade, capaz de defender as posições 3 e 4 com igual conforto, Woodard é um desses prospectos que trazem uma fisicalidade ‘old school’ na maneira com que atuam. Característica que tem se demonstrado de rápida tradução para a NBA (vide casos como Lu Dort e Keldon Johnson).
A força e gosto pelo contato físico, somado ao bom atleticismo, lhe permitirá ainda ser um reboteiro positivo para alguém que flutua entre as posições 3 e 4 – outro fator fundamental para jogadores chamados a ocuparem minutos situacionais por seus treinadores.

Sem demandar toques na bola para impactar as partidas, o jogador de 21 anos será ainda capaz de capitalizar em oportunidades pontuais na linha dos 3-PT em situações de spot up (42.9% 3-PT; 2.3 tent.) criadas pelos principais playmakers de sua equipe.

5) Tyler Bey (Colorado): um dos jogadores mais atléticos de todo o draft, Bey traz um skillset bastante semelhante ao apresentado por Brandon Clarke (Grizzlies) – jogador de boa contribuição como novato em 19-20.

Ala-pivô de 2,01m de altura, Bey usa sua mobilidade, explosão e a envergadura de elite (2,16m) para ser disruptivo no lado defensivo da quadra – defendendo múltiplas posições (pode trocar, eventualmente, de 1 a 5) e tirando o ataque adversário de seu ritmo natural com desvios nas linhas de passe (1.5 roubo em 19-20) e contestações ao redor do aro (1.2 toco em 19-20).

Ofensivamente, o jovem de 22 anos será um alvo constante para lobs – tanto na transição quanto na saída de PnR’s, bem como um reboteiro extremamente ativo na tábua ofensiva.
Assim como Woodard, Bey traz ainda a vantagem de não necessitar de toques na bola para impactar positivamente as partidas nos minutos em que permanecer em quadra.