Quando se fala sobre as peças jovens que irão liderar a reconstrução do elenco do Washington Wizards, muito se comenta sobre o novato Rui Hachimura e até mesmo sobre o pivô Thomas Bryant.

Em nossa avaliação, no entanto, é Troy Brown Jr. – ala segundo-anista, de apenas 21 anos de idade – o principal prospecto da franquia.

Selecionado na 15ª posição do draft de 2019 após passar apenas uma temporada na Universidade de Oregon, o jovem se destaca pela grande versatilidade com que pode ser usado no lado ofensivo da quadra e pelas medidas de elite que possui para um atleta capaz de flutuar entre as posições 2 e 3.

Nos tempos de college, Brown Jr. usou seu excelente controle de bola, a boa visão de jogo e um ritmo próprio – jamais deixando o adversário o ‘acelerar’ dentro de quadra, para atuar em diversos momentos como um ‘point foward’.

Sua capacidade como playmaker foi evidenciada durante as 8 partidas na ‘bolha’, quando – com a ausência do companheiro Bradley Beal, passou a ter mais oportunidades com a bola nas mãos, exibindo a mesma capacidade de chegar aos lugares que quer em quadra de maneira ‘metódica’ dos tempos de college, bem como de usar a envergadura de 2,09m para entregar passes a partir de diferentes ângulos (4.5 ASTS e 1.8 TO na Disney).

O jeitão paciente e sob controle de atuar esconde, no entanto, o fato de Brown atuar com uma fisicalidade acima da média para a posição.

Com 2,01m de altura e 98kg, ele usa do contato físico com frequência para ganhar posição na tábua de rebotes antes de usar seus braços longos para aumentar seu alcance e buscar bolas ‘fora de uma zona natural’.

Acima da média no quesito nos tempos de college (6.2 RBTS por jogo como freshman em 17-18), traduziu rapidamente sua efetividade como reboteiro para a NBA – terminando seu segundo ano com média de 5.6, com apenas 25.8 minutos em quadra.

A boa tomada de decisões, o pace com que atua e o impacto acima da média na tábua de rebotes por si só o garantiria como um jogador sólido na liga.

Brown, no entanto, pode muito mais.

Além de ter mostrado tremenda evolução como arremessador ao longo de 19-20 (39.2% para 3-PT em cenários de C&S), ele exibiu flashes de uma capacidade para criar o próprio chute – não apenas usando a mencionada combinação de fisicalidade e controle de bola para chegar no garrafão e ser eficiente ao redor do aro (64.6% de aprov. na área restrita; 2.9 tent.), mas também usando sua envergadura para tirar seu arremesso com frequência na meia distância em pullups.

Este último elemento, aliás, poderá ser o diferencial entre Brown ser um ‘legítimo titular’ (algo que não temos dúvidas que será) ou se desenvolver como um allstar eventual na liga – em patamar semelhante ao de um jogador como Khris Middleton, a quem – inclusive – lembra bastante em termos de tipo físico e estilo de jogo.