Cenário comum visto não apenas na NBA, mas no esporte em geral, atletas que passam a receber uma quantia significativa de dinheiro por seus serviços passam a conviver com um ‘nível especial’ de exigência por parte dos torcedores.

No caso de Terry Rozier (Hornets), porém, é curioso observar a falta de reconhecimento do fato do armador ter elevado seu nível de produção de maneira proporcional com a elevação de seu salário em relação à última temporada.

O jogador de 25 anos – que tem vencimentos de 19 milhões de dólares em 19-20 e que, em 18-19, recebeu apenas 3 milhões de dólares – cresceu literalmente em todos os quesitos de seu jogo na atual temporada.

Rozier dobrou sua média de pontos por partida (9 em 18-19; 18 em 19-20) ao mesmo tempo em que se tornou mais eficiente nos arremessos de quadra – saltando de 38.7% para 42.4% no total dos arremessos de quadra e de 35.3% para 39.1% na linha dos 3-PT com significativas 6.7 tentativas por partida (destaque para seu aproveitamento de 49% em situações de catch and shoot com 3.8 chutes por jogo; em 18-19 – teve 37.1%).

Sua melhora no arremesso longo, aliás, é parte crucial de seu bom aproveitamento de 51% no âmbito do ‘Effective Field Goal Percentage’ – que considera os pontos extras providos pelas bolas de 3-PT na hora de calcular a eficiência dos arremessos de um atleta.

Com exatos 11.2 minutos adicionais em sua média de tempo de quadra, Rozier mais do que dobrou sua frequência de idas à linha do lance-livre – saindo de 1.2 por jogo para 3.1 e aumentou significativamente seu volume de assistências de 2.9 para 4.4.

Contrariando aqueles que esperavam que, como ‘principal contrato’ do Hornets, ele fosse se tornar alguém ‘egoísta’ – que joga pelos seus números ao invés de atuar pelo benefício coletivo da equipe, ‘Scary Terry’ tem mostrado seu caráter ao abraçar – e executar em alto nível – o papel de ball handler secundário.

Sem demonstrar vaidade diante do crescimento do companheiro Devonte’ Graham, Rozier tem passado bom tempo fora da bola – como demonstram as seguintes estatísticas:
42.6% de seus arremessos vêm em cenários nos quais quica a bola no máximo uma vez; 17% de seu volume ofensivo vem em situações de ‘spot up’ (produz 1.06 ponto por posse de bola); 10% de seu volume vem em cenários nos quais corre em torno de screens (um dos melhores da liga – produzindo 1.26 ponto por posse de bola).

Além dos bons números individuais – que, na NBA atual, estão à altura do contrato que recebeu, Rozier tem sido peça fundamental nos surpreendentes resultados coletivos do Hornets.

Apesar das 15 vitórias e 24 derrotas e a 9ª posição no Leste não formarem – por si só – uma campanha de ‘encher os olhos’, quando contextualizados com as baixíssimas expectativas da equipe antes do início da temporada, os números são inegavelmente positivos.