Selecionado na 6ª colocação do draft de 2013, o pivô Nerlens Noel (Thunder) sofreu para se estabelecer de forma marcante em seus primeiros anos na liga. Lesões consecutivas em ambos os joelhos desempenharam um enorme papel nessa dificuldade.

Durante a temporada 2019-2020, no entanto, o ex-jogador de Kentucky mostrou ter recuperado a explosão e a mobilidade dos tempos de college e se consolidado em peça indispensável na rotação do treinador Billy Donovan.

O jogador de 26 anos abraçou o papel de ‘pivô de energia’ vindo do banco de reservas e usado seu perfil de ‘laboratório’ para um homem grande contemporâneo para mudar a complexidade do jogo de sua equipe.

Com a mobilidade e o atleticismo de Noel em quadra, o Thunder aumenta a pressão defensiva e – no lugar da defesa mais posicional que adota quando Steven Adams está ocupando a posição 5.

Dono de excelente mobilidade lateral para um atleta de 2,11m, envergadura de 2,23m e um ‘motor’ que roda constantemente em alta intensidade – Noel é extremamente disruptivo em trocas defensivas e como playmaker fora da bola.

Ele é um dos raros pivôs da liga a ter, ao mesmo tempo, grande impacto positivo defendendo no perímetro e patrulhando o garrafão.

Lá fora, ele move seus pés como um ala para se manter em frente dos oponentes antes de esticar os braços longos para contestar o chute – diminuindo em 4.7% o aproveitamento nos adversários na linha dos 3-PT em relação às suas médias (contra Adams, adversários arremessam 2.6% melhor dos 3-PT em relação às suas médias).

No garrafão, Noel – que bloqueou média de 4.4 chutes em sua única temporada no college – é um legítimo protetor de aro.

Com média de 1.5 toco por jogo em apenas 18.4 minutos de ação – ele lidera o Thunder em tocos na temporada e diminui em 8.7% o aproveitamento dos adversários em chutes a até 1.2 metro de distância, graças à combinação de tremenda velocidade de reação, explosão atlética, envergadura de elite e ótimo timing na defesa de ajuda. Um pacote completo como ‘shot blocker’).

Longe de ser apenas só um ‘corpo atlético’, Noel exibe ainda instintos de antecipação especiais no lado defensivo da quadra – constantemente lendo os olhos dos adversários para saltar nas linhas de passe e provocar turnovers.
Ele é o segundo em sua equipe em desvios por jogo com 2.6 (atrás de Chris Paul, com 3.4) e a lidera com larga vantagem na projeção por 36 minutos – com incríveis 5.1.

Tamanha presença e intensidade nas diferentes áreas defensivas de seu pivô reserva permite que o Thunder assuma mais riscos na pressão na bola e, com isso, crie mais oportunidades de cestas fáceis em contra-ataques – contraste importante para dar uma ‘nova cara’ à equipe em momentos específicos do jogo, já que, no geral, ela adota uma abordagem conservadora: 22ª em turnovers forçados e 20ª em pace.

Noel complementa a habilidade de criar turnovers com ótima velocidade para bater pivôs adversários correndo a quadra – elemento que o coloca na elite da liga em situações de transição (90.4th percentile – com 1.38 ponto por posse nessas situações).

Na meia quadra, ele segue a receita do ‘pivô contemporâneo’ ao não demandar toques na bola para ser efetivo (80% de seus arremessos vêm de cenários de catch and finish) – atuando majoritariamente como espaçador vertical, usando seu atleticismo e a habilidade de saltar em espaços pequenos para se colocar também entre os melhores finalizadores da liga em cenários de PnR (90.3th percentile).

Entre os jogadores usados em ao menos duas posses de bola por jogo nessas situações, a produtividade de 1.41 ponto por posse de Noel só é superada por dois jogadores da liga: Brandon Clarke (Grizzlies) e Christian Wood (Pistons).

Em resumo, a atuação de Nerlens Noel na atual temporada o coloca – em efetividade – em patamar bastante semelhante ao de jogadores como Clint Capela (Hawks), cujo papel é ser uma âncora defensiva versátil e um espaçador vertical no ataque.

Seu último contrato com o Thunder, de 2 milhões por temporada – que acaba ao final de 19-20, deve ser o último em que o pivô assinou como ‘uma aposta’.

Nesse verão, é provável que equipes lhe ofereçam valores muito mais robustos – bem como, provavelmente, um papel muito maior no elenco. Nós, da Central do Draft, apostamos, inclusive, que Noel deverá encontrar um posto como titular em 20-21.