Em uma liga que cada vez mais valoriza a bola dos 3-PT não apenas para colocar pontos diretamente no placar, mas também como forma de manter o garrafão adversário despovoado – facilitando infiltrações, é imprescindível para qualquer equipe da liga contar como um sniper do calibre de Malik Beasley (Timberwolves).

Depois de seleciona-lo na 19ª colocação do draft de 2016, no entanto, o Denver Nuggets praticamente abriu mão dos serviços do ala-armador ao troca-lo para Minnesota – tendo como retorno o expirante Noah Vonleh e o jovem Keita Bates-Diop.

Desde seus dias em Florida State, Beasley era conhecido predominantemente por sua habilidade de conectar arremessos com consistência nas mais variadas situações de catch and shoot (38.7% de suas 4.2 tentativas de 3-PT em 15-16, seu primeiro e único ano na NCAA).

O curioso, é que mesmo tendo sido uma escolha de metade de primeira rodada por – na época – um time jovem e em um processo de reconstrução como o Nuggets, o jovem teve pouquíssimas oportunidades de entrar em quadra em suas duas primeiras temporadas na liga.

De 16-17 a 17-18, Beasley entrou em quadra em 84 partidas – ficando em quadra uma média de 8.9 minutos por jogo.

Somente em 18-19, no seu terceiro ano, é que ele passou a ser peça constante na rotação do treinador Michael Malone – muito por conta das seguidas lesões que o titular da posição 2, Gary Harris, sofreu ao longo da temporada.

Beasley, então, não demorou a corresponder.

Rapidamente se consolidou como um dos melhores de toda a NBA em cenários de spot up – produzindo 1.22 ponto por posse de bola (92.9th percentile!) nesse cenário e convertendo 42.2% do total de suas oportunidades de catch and shoot na temporada.

Mais do que um shooter, porém, Beasley usou ainda seu subestimado atleticismo para punir defesas que o pressionavam na linha dos 3-PT com cortes backdoor – se estabelecendo entre os bons cutters da liga (1.36 ponto por posse), atributo crucial para alguém que atua ao lado de Jokic.

Mesmo em face da tremenda produção do jovem, Malone decidiu envia-lo de volta ao banco de reservas após o retorno de Harris – papel que Beasley manteve durante os playoffs de 18-19 e cumpriu com boa eficiência durante a primeira metade de 19-20 ao, junto de Monte Morris, trazer um ‘soco’ de energia para a equipe.

Como se diz, no entanto, a NBA é um negócio. E o fato de Beasley ter se valorizado e estar prestes a entrar na próxima offseason como um ‘free agent restrito’ – colocou pressão na diretoria do Nuggets.

Era melhor mantê-lo e, provavelmente, ter de cobrir uma oferta na casa dos 14 milhões anuais durante o verão americano ou troca-lo e garantir algumas assets para não perdê-lo sem nenhuma recompensação?

No fim, o Nuggets não fez nem uma coisa – nem outra. Praticamente o dispensou para Minnesota, onde Beasley tem brilhado em um sistema de ‘run and gun’ – matando incríveis 42.7% de uma média de 7.5 tentativas longas por jogo, sendo 2.8 delas em cenários de pullup (51.6% de aprov.), mostrando que pode ser mais do que apenas um ‘espaçador fora da bola’.

Mesmo já tendo mostrado a capacidade de ser produtivo em um ambiente vencedor, como foi em 18-19, o ala-armador ainda tem sofrido – porém – com alguma desconfiança por parte da mídia e dos torcedores, que atribuem tamanha eficiência e a média de 20.7 pontos por partida à liberdade de se atuar em uma equipe que já não disputa nada na temporada.

A continuidade dessa narrativa, aliás, deve ser a esperança de boa parte dos General Managers da NBA nessa offseason que – sabedores que o ‘motor’ com que Beasley se move sem a bola e o tremendo toque que tem na bola na linha dos 3-PT se traduz para qualquer circunstância, desde que com o espaçamento adequado – tentarão leva-lo para suas equipes com um ‘contrato mais camarada’.

Fato é que o ex-jogador de Florida State está prestes a explodir como um dos arremessadores mais letais da NBA e em breve sobrarão poucos ‘senões’ diante dessa constatação.