Um dos melhores passadores da liga, Lonzo Ball jamais teve uma temporada com ao menos duas assistências para cada turnover cometido (2.4 AST/TO na carreira).
Figurou entre os 10 melhores guars reboteiros da liga em todas elas, se consolidou como um dos defensores mais disruptivos de toda a liga e – em 19-20 – transformou abandonou o apelido de ‘Lonzo Airball’ ao converter 40% de uma média de 4.4 tentativas de 3-PT em situações de catch and shoot na temporada.

Apesar disso, são poucos aqueles que mencionam seu nome na hora de mencionar os melhores armadores jovens da liga. Neste post nos dedicamos a mostrar as razões pelas quais ele merece ser incluído nesse grupo.

Revolucionário nos tempos de high school e college pela habilidade de ditar um ritmo velocíssimo – ao melhor estilo ‘showtime’ – para sua equipe, Ball essa característica de imediato para a NBA.

O armador aumentou imediatamente a velocidade com que suas equipes atuaram desde o primeiro momento que pisou na NBA.

Em 16-17, antes de sua chegada, o Lakers tinha uma média de 99.26 posses por partida. No ano seguinte, com Ball em seu primeiro ano, a equipe passou a ter 100.90 – ocupando a terceira colocação da liga no quesito.

No ano seguinte, mais um salto: 103.60 posses.

Já em seu primeiro ano no Pelicans, o armador chegou a um time que já ocupava a segunda posição no ranking dos times mais velozes da NBA com 103.89 posses. Com ele, porém, a equipe passou a explorar ainda mais a transição ofensiva – mantendo a segunda colocação, dessa vez com 103.96 posses.

Essa capacidade de atuar de maneira tão veloz e, ao mesmo tempo, manter excelentes números em relação ao cuidado com a bola é rara. E só é possível por conta de sua extrema precisão para lançar passes de alto grau de dificuldade como se fossem simples – talento exemplificado pelos lobs perfeitos que lança de sua quadra de defesa para Zion Williamson.
Sua conexão com o ex-jogador de Duke, aliás, tem peso importante no sucesso do novato logo em seus primeiros jogos na liga.

Desde que estreou, há 19 jogos, Williamson recebeu uma média de 2.9 assistências por jogo de seu armador – algumas delas absolutamente espetaculares, como as advindas dos passes de entrada perfeitos no garrafão. Passes que podem parecer simples, mas que são dignos de grandes da ‘velha escola’ como Jason Kidd e até Magic Johnson.

 

Além daquilo que sempre fez bem – o talento abençoado para ditar o ritmo do jogo e passar a bola, Ball se tornou uma ameaça real na linha dos 3-PT.

Com um volume alto de 6.5 tentativas por partida, converteu 38.3% do total de seus arremessos de 3-PT e, em cenários de catch and shoot, matou 40% de uma média de 4.4 tentativas, produzindo 1.04 pontos por posse em situações de spot-up – eficiência superior à de jogadores como Jayson Tatum (Celtics), Terrence Ross (Magic) e Malik Beasley (Timberwolves).

A melhora nos arremessos do perímetro aumentaram significativamente sua eficiência como cestinha – saltando de 48.8%, em 18-19, para 52.3%, em 19-20, no âmbito do effective FG%, estatística que leva em consideração os pontos adicionais advindos da linha dos 3-PT.

Para se ter uma ideia, a efetividade de Ball na atual temporada supera a de guards badalados como: Trae Young (Hawks), de 51.9%; e De’Aaron Fox (Kings), de 50.9%. E iguala a de Ja Morant (Grizzlies).

Claro que Ball, com 11.2 arremessos por jogo, não em o volume ofensivo de seus colegas jovens-armadores, mas o fato de estar pontuando de maneira eficiente pesa significativamente a seu favor se levada em conta sua presença em áreas como a defesa e o rebote – nas quais leva larga vantagem sobre eles.

Usando o mesmo QI de basquete e o instinto que faz dele um tremendo passador no lado ofensivo da quadra, o excelente atleticismo e a envergadura de elite para a posição (2,04), o jogador escolhido na 2ª posição do draft de 2017 é extremamente disruptivo nas linhas de passe (2.9 desvios por jogo).

Mais do que apenas uma ‘ameaça’ na defesa coletiva, no entanto, Ball faz excelente trabalho defendendo as posições 1, 2 e 3 individualmente – ao fazer ótimo trabalho defendendo com as pernas e usando a verticalidade para contestar, forçando os adversários a arremessarem sobre seus braços longos (7.3 contestações por jogo – 9º entre os guards).

Ball foi bem sucedido, por exemplo, contra jogadores como Danilo Gallinari (Thunder) e Kristaps Porzingis (Mavericks) – limitando-os a aproveitamentos respectivos de 3-9 e 5-13 em posses de bola em que trocou nos alas.

Números que mostram sua versatilidade e capacidade para sobreviver em trocas eventuais contra jogadores da posição 4, característica rara e extremamente valiosa na NBA atual.
É bom lembrar que, apesar de tudo que já passou na liga e parecer estar nela há uma eternidade, o armador do Pelicans tem apenas 22 anos.

A seguir nesse ritmo de evolução, o céu é o limite. Não apenas no que diz respeito a convocações para múltiplos Jogos das Estrelas – mas, sobretudo, no caminho para se tornar uma peça crucial em uma equipe que se colocará entre as postulantes do título da NBA no médio prazo.