2,08m de altura, envergadura de 2,20m e muita explosão atlética, Daniel Gafford (Bulls) foi apontado por nós – durante o período pré-draft – como um dos principais candidatos a steals da classe de 2020.

Sua habilidade de impactar o jogo defensivo com muita presença na proteção do aro e, ao mesmo tempo, com mobilidade e agilidade suficiente para conter jogadores menores em cenários de pick and roll por si só já o projeta como um atleta de carreira longa na NBA – seja como titular ou como um importante ‘jogador de energia’ vindo do banco de reservas.
Ofensivamente, o atleticismo fora dos gráficos e a boa técnica para conseguir contato nos screens o projeta ainda como um projeto intrigante no papel de espaçador vertical e finalizador de pick and rolls exercido por pivôs como Clint Capela e Deandre Jordan.

Apesar de estar comprovando esses atributos na prática – nas oportunidades que tem tido de entrar em quadra nesta primeira temporada na NBA – Gafford tem sido estranhamente preterido pelo treinador Jim Boylen, acumulando média de apenas 12.8 minutos por partida até aqui.

A falta de minutos consistentes na rotação do Bull assusta quando lançamos uma lupa sob a produção do novato até aqui.
Sua versatilidade defensiva é demonstrada claramente em suas estatísticas nesse lado da quadra:

ele tem sido um pesadelo para adversários contestando ao redor do aro, limitando-os a um aproveitamento de 48.7% em arremessos a menos de 1.5m da cesta;
e faz tremendo trabalho movendo os pés e incomodando arremessadores no perímetro – os limitando a 26.6% de aproveitamento na linha dos 3-PT.

Contextualizando algumas de suas estatísticas com seus colegas de classe – Gafford se destaca mesmo com uma desvantagem significativa no tempo de quadra.

Ele lidera os novatos em tocos por partida (entre aqueles que atuaram em ao menos metade dos jogos de suas equipes) com 1.3 por jogo, é o terceiro colocado em ‘screen assists’ (pontos gerados diretamente a partir de seus corta-luzes) e o primeiro entre os novatos em termos de produção em cenários de pick and roll, com 1.30 ponto por posse de bola.

Com estatísticas de 13.4 PTS, 6.7 RBTS e 3.7 Tocos PER 36, Gafford certamente estaria sendo tratado como uma das principais surpresas da classe de 2019 e candidato ao primeiro time dos calouros caso estivesse sendo usado de maneira ‘razoável’ por seu treinador.

Como isso não é o caso atualmente, a 38ª escolha do último draft tem se tornado – rapidamente – um dos jovens mais ‘underrateds’ da liga.