Por alguma razão para a qual ainda não encontramos explicação, alguns jogadores contam com uma paciência e uma compreensão menor por parte da mídia e dos torcedores do que outros – independente de seus níveis de talento e as dificuldades que enfrentaram durante suas carreiras.

Kristaps Porzingis (Mavericks), por exemplo, tem tido suas enormes dificuldades para se manter eficiente no âmbito dos arremessos de quadra (40.1% FG e 32.6% 3-PT) e os problemas para se manter em frente de adversários no perímetro e no jogo de pick and roll no lado defensivo (permite 41.3% de aproveitamento nos arremessos de 3-PT) justamente (é bom que se diga) relativizadas pelo longo período de inatividade ao qual foi exposto após romper o ligamento cruzado de seu joelho esquerdo.
Outros atletas, como Jabari Parker (Hawks) – porém, não contam com a mesma simpatia da opinião pública e têm seus nomes rapidamente jogados no ‘limbo’ daqueles que simplesmente ‘não servem mais’.

Parker e Porzingis tem a mesma idade – 24 anos. E, para ser justo, o primeiro tem tido uma trajetória com ainda mais obstáculos do que o segundo – já que não foi submetido a uma, mas a duas cirurgias (uma em 2015, outra em 2017) para reparação do ligamento cruzado também do joelho esquerdo.

De lá para cá, o ala-pivô tem feito tremendo progresso – apresentando uma curva de evolução animadora quanto à recuperação de parte do basquete que o permitiu ser um dos poucos ‘freshmans’ selecionados para o primeiro time do basquete universitário (2013-2014) e a segunda escolha do draft de 2014.

Logo ao voltar de sua lesão segunda lesão no joelho, em fevereiro de 2018, Parker tinha perdido – naturalmente – o primeiro passo potente que, somada à habilidade de ‘armador’ para colocar a bola no chão e ao excelente toque ao redor do aro, o tornava um mismatch para a maioria dos alas-pivôs da NBA (converteu apenas 57.7% de uma média de 4.4 tentativas na área restrita naquela temp.).

Hoje, um ano e meio depois, o ex-jogador de Duke – com a ajuda de um joelho muito mais fortalecido – recuperou boa parte de seu atleticismo e já se coloca em um grupo de elite da liga que combina volume e eficiência em suas infiltrações (69.7% de aprov. na área restrita, com 6.2 tentativas por jogo).

Além da média de 16 pontos e 50.2% FG na atual temporada, Parker também tem desmentido alguns mitos quanto a seus ‘problemas de encaixe’ na NBA atual.

Taxado por ‘especialistas preguiçosos’ como alguém que ‘segura a bola demais – diminuindo o flow do ataque’, o jogador concentra 53.2% de suas tentativas de arremesso de quadra em cenários nos quais não quicou a bola sequer uma vez.

Além disso, Parker tem se posicionado como um reboteiro de bom nível – não apenas pela média de 6.4 com só 27.8 minutos de ação por partida, mas, sobretudo, por 30% desse montante ser acumulado em situações em que há disputa real pela bola, os chamados rebotes contestados.

Coletivamente, as ótimas atuações do ala-pivô ainda estão de se traduzirem em vitórias e – a bem da verdade – esse parece ser o único argumento restante para seus ‘haters’ seguirem desvalorizando seu jogo.

Se olharmos o contexto geral de Atlanta com honestidade, porém, concluiremos que a falta de vitórias se deve quase que exclusivamente a uma incapacidade de defender coletivamente – algo que, inclusive, pouco (ou nada) tem a ver com a capacidade individual dos atletas como defensores.

No momento, o Hawks ocupa a penultima colocação em eficiência defensiva da NBA.