Com performances individuais espetaculares e um dos times mais quentes da liga no momento, Ja Morant (Grizzlies) tem se distanciado largamente do restante dos novatos na corrida pelo prêmio de Calouro do Ano, de modo que nem a iminente estreia de Zion Williamson (Pelicans) – marcada para a próxima quarta-feira, 22/01 – parece ser capaz de criar uma disputa real pela premiação individual.

Nem só do armador, no entanto, tem vivido a classe dos novatos de 2019.

Mais do que números individuais de impressionar, os jovens desse top 5 têm demonstrado uma rara capacidade de contribuir precocemente para o sucesso coletivo de suas equipes.

Confira abaixo as análises:

1) Ja Morant (Grizzlies) 18 PTS / 6.9 ASTS e 3.3 TO / 1 Roubo / 49.4% FG / 40.7% 3-PT com 2.3 tentativas por jogo

Catalizador da sequência de seis vitórias consecutivas que colocou sua equipe de vez na luta por uma vaga nos playoffs da Conferência Oeste, o armador tem misturado a ousadia de novato com uma maturidade muito à frente do comum para um atleta de 20 anos de idade.

Em praticamente todas as partidas em que pisou na quadra, Morant produziu ao menos um ‘highlight’ com sua tremenda habilidade com a bola nas mãos e muita criatividade para distribuir passes precisos a partir dos mais diferentes ângulos.

Nem só de ‘flash’, no entanto, se sustenta o jogo do novato – que usa seu atleticismo para colocar constante pressão na defesa adversária na transição ofensiva (Grizzlies é o terceiro colocado no ranking de ‘pace’), bem como para desmontar as defesas adversárias pisando constantemente no garrafão a fim de finalizar e/ou colocar os oponentes em situações de ajuda, criando superioridade numérica para os companheiros.

Morant é o décimo colocado de toda a NBA em média de infiltrações por partida com 17.4, o quarto em assistências advindas dessas situações – com 2.1, e lidera os novatos em tentativas no garrafão com média de 9.9 por partida.

 

2) Kendrick Nunn (Heat) 15.9 PTS / 3.6 ASTS e 1.8 TO / 45.7% FG / 34.6% 3-PT com média de 5.8 tentativas

Depois de ter construído toda uma reputação como ‘slasher’ nos tempos de basquete universitário e em sua temporada na G-League, Nunn surpreendeu a liga no início de 2019-2020 com sua acurácia na linha dos 3-PT, matando 38.6% de suas tentativas nos primeiros 10 jogos da ‘season’.

Essa sequência quente, no entanto, parece ter definitivamente chegado ao seu final – ao passo que o novato converteu apenas 33.3% do perímetro nos 30 jogos subsequentes.
A boa notícia é que Nunn tem conseguido se manter efetivo ofensivamente – se apoiando naquilo que tem de melhor: o atleticismo e a habilidade de usar screens fora da bola para criar oportunidades de infiltração para si.

Com 66.2% de aproveitamento, o novato tem feito estupendo trabalho finalizando na área restrita – fato que impulsiona treinadores adversários a abusarem das ‘drop coverages’ (quando o pivô defensivo fica próximo à área pintada, concentrando-se em proteger o aro, na hora de marcar o pick and roll), estratégia que o combo guard do Heat tem punido com um efetivo jogo de meia distância (45.3% de aproveitamento com média de 2.4 tentativas por partida).

 

3) PJ Washington (Hornets) 12.4 PTS / 5.5 RBTS / 48% FG / 41.7% 3-PT com 3.4 tentativas por partida

O ala-pivô tem sido consistente durante toda a temporada ao utilizar seu versátil conjunto de habilidades para punir a defesa adversária nos mais diferentes cenários a partir da posição 4.

Com 41.7% de aproveitamento dos 3-PT (91% de suas tentativas vêm em cenários de catch and shoot), Washington ingressou rapidamente no clube dos ‘stretch 4’ – espaçando a quadra para que companheiros como Terry Rozier e Devonte Graham possam operar com pouca ajuda do ‘lado fraco’ da defesa.

O ex-jogador de Kentucky faz ainda bom trabalho em cenários de pick and roll, produzindo 1.17 ponto por posse de bola no jogo de dupla.

 

4) Tyler Herro (Heat) 13.4 PTS / 4.4 RBTS / 41.7% FG / 38.5% 3-PT com média de 5.5 chutes

Único ‘freshman’ (jogador que atuou durante apenas 1 ano no basquete universitário) do top 5 dos novatos até aqui, Herro está à frente da curva de sua idade – tanto em termos de skillset e fundamento, quanto de força mental.

Sempre disposto a ‘abraçar’ o chute decisivo, o ala-armador é o segundo colocado entre os novatos que atuaram em ao menos 10 jogos em situações ‘clutch’ na temporada com média de 2.2 ponto por jogo e aproveitamentos impressionantes de e 53.8% dos 3-PT e 52.6% no total dos arremessos de quadra nesses cenários.

Em termos skill, Herro tem dado um show no trabalho de pés para se equilibrar instantaneamente na saída de screens – produzindo 1.06 ponto por posse de bola nesses cenários.

Além disso, o jovem de 19 anos mostra um tremendo entendimento do jogo para se realocar constantemente a fim de se desmarcar antes mesmo de receber a bola, característica simbolizada pelo fato de 80% de suas tentativas de 3-PT advirem de cenários nos quais ele está ‘muito livre’ (mais de 1.8m distante de seu marcador mais próximo) ou livre (entre 1.20m e 1.8m).

 

 

5) Brandon Clarke (Grizzlies) 12.3 PTS / 5.9 RBTS / 62.7% FG

Apelidado de ‘mister do something’ (algo como ‘o faz tudo’ em uma tradução não literal), Clarke tem sido fundamental para o sucesso Grizzlies – sobretudo pelo fato de formar um dos garrafões mais versáteis defensivamente ao lado de Jaren Jackson Jr., permitindo com que o treinador Taylor Jenkins possa usar, nesses momentos, um esquema defensivo de trocas constantes e muita agressividade – algo impossível de se fazer quando o titular Valanciunas está em quadra.

No ataque, Clarke tem usadou seu atleticismo fora do comum para se colocar no topo da liga no ranking dos jogadores mais efetivos em cenários de pick and roll – produzindo 1.53 ponto por posse de bola (só Mitchell Robinson, com 1.69, é mais produtivo entre os jogadores que participam de ao menos 2 posses de bola por jogo no PnR).

O ala-pivô tem ainda espantado scouters de toda a liga pela consistência que tem tido na linha dos 3-PT – matando 40% de uma média de 1.1 chute por partida, volume ainda baixo, mas suficiente para manter as defesas ‘honestas’ na hora de defendê-lo no perímetro, espaçando a quadra para os companheiros e liberando linhas de infiltração para que ele possa fazer o que tem de melhor: atacar o aro.