1) Ja Morant (Grizzlies) 19.3 PTS / 10.3 ASTS e 4 TO / 6 RBTS / 1.3 Roubo / 54% FG

Com seu time jogando o melhor basquete na temporada (5 vitórias consecutivas), Morant tem demonstrado muita maturidade para ‘deixar o jogo chegar até ele’ ao invés de assumir uma desnecessária – no momento – responsabilidade de criar ‘todas as jogadas’.

Apesar das 10.3 assistências de média no período, essa última semana marcou a sequência de jogos na qual o armador teve sua maior participação fora da bola (26% de seus arremessos vieram em cenários nos quais quicou a bola no máximo uma vez).

O armador exibiu excelente timing e leitura de jogo para usar a agressividade de seus adversários – que o pressionavam fora da bola, na tentativa de impedir que ele a recebesse, cortando em direção à cesta nos chamados ‘backdoor’.

Essa possibilidade de receber a bola em movimento contra uma defesa em inferioridade numérica no garrafão – somada à continuidade do tremendo trabalho que têm feito na transição (Grizzlies é o sexto colocado no ranking de pace da temporada) – permitiu com que Morant fosse ainda mais efetivo do que o de costume finalizando ao redor do aro, convertendo 60.6% de um alto volume de 12.7 arremessos por jogo dentro do garrafão (73.9% de uma média de 7.7 na área restrita).

 

2) Darius Garland (Cavaliers) 17.3 PTS / 6 ASTS e 2.3 TO / 1.3 Roubo / 47.6% FG / 33.3% 3-PT com 6 tentativas por jogo

Muito perto de recuperar seu ‘ritmo natural’ depois de um longo período de inatividade, o armador já tem deixado de mostrar apenas ‘flashes’ e começa a exibir consistentemente as características que nos motivaram a projeta-lo como um talento ‘Top 3’ no draft de 2020.

Atuando como um combo guard, constantemente correndo em torno de screens, Garland demonstrou muita versatilidade ofensiva durante a última semana – tomando ótimas decisões entre o momento de simplesmente mover a bola rapidamente, mantendo o ritmo do ataque, e os cenários nos quais tinha uma boa oportunidade para criar a partir do drible para si mesmo ou para os companheiros.

Dono de um raro ‘ritmo quebrado’ com a bola nas mãos, alterando constantemente sua velocidade e recorrendo a hesitações ao estilo CJ McCollum, Garland – tal como o jogador do Trail Blazers – tem mostrado facilidade para colocar os pés na área pintada a despeito do atleticismo ‘mediano’.

Além da habilidade de chegar ao garrafão, o novato tem exibido melhora significativa na hora de finalizar próximo à cesta – graças ao fato de estar reencontrando o toque em seus floaters (77.8% de aproveitamento em uma média de 3 floaters por partida no período).

 

3) Jaxson Hayes (Pelicans) 14.8 PTS / 6.8 RBTS / 2.3 Tocos / 73.5% FG

Durante a transmissão da ESPN Americana do jogo Pelicans e Knicks, na última sexta-feira, a lendária comentarista Doris Burke não poupou elogios na hora de se expressar impressionada com a habilidade de Hayes conter jogadores no perímetro.

A ‘observação visual’ de Doris foi também confirmada pelos números – com o pivô limitando seus adversários a pífios 16.7% de aproveitamento na linha dos 3-PT na última semana.
Além de permitir que seu time ‘troque tudo’ na defesa, Hayes também fez trabalho estupendo em cenários de ajuda próximo ao aro (2.3 tocos – adversários converteram apenas 44.5% dos arremessos quando defendidos pro Hayes a 2 metros ou menos da cesta) – usando de uma mistura rara de explosão e agilidade para um atleta de 2,13m.

O atleticismo fora do comum, somado a ótimos instintos e timing para oferecer ‘janelas de passe’ para os companheiros na saída de pick and rolls, o permitiu ainda ser um pesadelo para o adversário como ‘rim runner’ – convertendo 82.8% de uma média de 7.3 tentativas na área restrita e indo à linha do lance-livre 4.5 vezes por partida com apenas 24.6 minutos de quadra na última semana.