Décima colocada no nosso ranking das 10 melhores duplas jovens da NBA, a combinação de Bam Adebayo e Tyler Herro não se limita à qualidade individual dos atletas e chama a atenção também pela maneira com que seus estilos de jogo se complementam.

Em seu primeiro ano como titular do Heat, Adebayo se destacou pela habilidade de atuar como uma espécie de ‘point center’ – utilizando seu ótimo controle de bola para puxar a bola em contra-ataques e, sobretudo, ‘gravitar’ para perto de seus arremessadores para libera-los com ‘hand-offs’ (passe na mão seguido de corta-luz).

Ao longo de 2019-2020, ninguém pontuou mais do que o Heat nessas situações de hand-off (DHO).

Impulsionado por Adebayo – terceiro colocado em toda a liga em pontos gerados a partir de screens com 12.5 por jogo, Miami anotou média de 10.2 pontos por partida nesses cenários de DHO, três a mais do que Warriors e Nuggets, empatados na segunda colocação.

O Heat foi também a equipe que mais usou a jogada, concentrando nela 8.8% de seu repertório ofensivo.

Além da equipe como um todo, os arremessadores foram aqueles que mais se beneficiaram dessa característica de Adebayo. Sobretudo o ala Duncan Robinson, principal receptor das assistências do ex-jogador de Kentucky (1.2 por jogo), cujo 22.5% de seu volume ofensivo adveio dos handoffs.

Apesar de ainda estar longe de ter a eficiência de Robinson – que produziu impressionantes 1.35 pontos por posse nessas situações (96.8th percentile), o jovem Herro foi outro que se beneficiou do cenário.

Com 15.4% de seu volume ofensivo vindo dos handoffs, o novato não demorou para se colocar como um jogador acima da média nesses cenários – produzindo 0.96 ponto por posse (62.8th percentile). Número idêntico ao de Zach LaVine (Bulls) e superior ao de jogadores como D’angelo Russell (Timberwolves) e CJ McCollum (Trail Blazers).

Diferente do que acontece nos handoffs envolvendo Robinson e Adebayo, no entanto, as jogadas que substituírem o primeiro por Herro criarão também oportunidades para Bam finalizar ao redor do aro.

Playmaker subestimado desde os tempos de Kentucky (2.5 ASTS e 1.6 TO em 18-19), Herro colocará enorme pressão na defesa adversária ao sair dos DHOs colocando a bola no chão – forçando o pivô adversário a se comprometer e aumentando as oportunidades para Adebayo em lobs e ‘drop-offs’.

Essa química de ambos, aliás, já começa a se refletir nos números: só Goran Dragic (recebeu 25.1% dos passes de Herro em 19-20) e Jimmy Butler (15.1%) foram mais acionados que Adebayo (13%) pelo novato do Heat na temporada.