Costumo dizer que o que separa um jogador alto capaz de colocar a bola no chão e executar movimentos característicos de guards em um ginásio vazio e não traduz essa versatilidade de skills em um ‘jogo real’ para outro que traduz tudo isso em produção na NBA é um atributo específico: o nível de fisicalidade.

Embora o entretenimento do jogo nos leve a observar dribles por trás das costas, eurosteps e crossovers – questões simples como a disposição de trombar para abrir caminho em uma infiltração, de usar um ‘power move’ para cavar espaço e desequilibrar o marcador antes de subir para uma finalização, muitas vezes, dizem mais sobre a trajetória de desenvolvimento de um jovem.

É essa disposição para o jogo físico que separa, por exemplo, jogadores como Dragan Bender (Warriors) de jogadores como Dario Saric (Suns). Ou ainda jogadores franzinos dispostos a ‘receber contato’ como Chris Boucher (Raptors) de atletas franzinos que tentam ser sempre ‘finos’ como Thon Maker (Pistons).

Logo no primeiro momento em que pisou em quadra na atual temporada da G-League, o ala-pivô Luka Samanic (Spurs) não deixou dúvidas que pertencem à categoria dos ‘físicos’ e que chegou aos Estados Unidos para permanecer por anos na melhor liga de basquete do mundo.

 

19ª escolha do draft de 2019, o croata de 20 anos de idade, 2,08m de altura e 102kg mesclou toda sua versatilidade para colocar a bola no chão com um gosto especial por punir mismatches no jogo de post – estabelecendo posição de costas para a cesta sempre que percebeu estar sendo marcado por um jogador menor.

Samanic exibiu essa mesma fisicalidade na tábua de rebotes, onde acumulou média de 10 rebotes a cada 36 minutos que permaneceu em quadra (2.2 ofensivos).

Destacamos, aliás, todas essas características durante o processo pré-draft – elementos que nos levaram a compara-lo com seu compatriota Saric. Fomos, no entanto, surpreendidos pelo tremendo atleticismo exibido pelo jovem durante a G-League – atributo que tem encantado scouts dos EUA.

Samanic não é apenas fluido, com boa agilidade para trocar de direção e passadas largas quando com espaço. Ele é também explosivo e demonstro potencial para atuar ‘acima do aro’ – inclusive como espaçador vertical em cenários de transição e PnR.
Essa ‘surpresa atlética’ na qual se configurou para a maioria dos analistas será crucial para aumentar significativamente seu teto na liga.

Dono de braços curtos para um atleta de sua altura (enverg. de 2,08m), Samanic tem seu potencial limitado em áreas como a proteção do aro – elemento que, por conta de sua excelente condição atlética, poderá ser compensado com sua habilidade de defender múltiplas posições no perímetro, o que o permitirá ser usado com frequência na posição 4, mesmo contra lineups menores.

Essa mobilidade e explosão acima da média para um jogador de 2,08m, somada à ótima fisicalidade com que atua, o permitirá ser um mismatch constante nos dois lados da quadra.

Punindo lineups baixos com sua presença na tábua ofensiva e no jogo de post, arrastando alas-pivôs tradicionais para o perímetro e os ‘queimando’ com a habilidade de colocar a bola no chão – tudo isso enquanto sobrevive contra os mais variados quintetos no lado defensivo da quadra.

Mais uma vez, parece que o staff do Spurs mostrou o porque de ser um dos melhores da liga – ao enxergar em Samanic um atleticismo que a maioria dos scouters, nós inclusos, não observamos durante o processo pré-draft.

Esse quesito, por si só, poderá mudar sua projeção de ‘um potencial titular’ para um possível pilar da reconstrução da maior franquia do Texas.