Ao olhar para a história da NBA, encontramos diversos casos em que – em uma situação de troca entre jogadores – o atleta considerado a ‘peça principal do negócio’ acaba, no longo prazo, tendo menos impacto do que um outro que, à época, pareceu apenas ter sido uma ‘peça incluída para equiparar os salários’ e fazer a troca acontecer.

Em julho de 2013, por exemplo, Bucks e Pistons firmaram uma troca na qual Milwaukee enviou seu armador Brandon Jennings em troca do também armador Brandon Knight. No meio do negócio ‘principal’ estava o então sophomre Khris Middleton, 39ª escolha do draft de 2012 que havia atuado apenas 27 jogos por Detroit em sua temporada de estréia.

Situação parecida pode ter ocorrido na última ‘deadline’, quando o Wizards decidiu entrar como facilitador da troca entre Knicks e Clippers – que levou Marcus Morris para Los Angeles – a fim de adquirir os direitos do sophmore Jerome Robinson.

Escolha de loteria do draft de 2018 (13º), o ala-armador tem – até aqui – tido enormes problemas para traduzir sua habilidade de colocar a bola dentro da cesta das mais diferentes maneiras a partir da linha dos 3-PT, atributo que, somada à excelente presença física fez dele um prospecto intrigante nos tempos de Boston College.

Aos 23 anos, Robinson está pronto no lado defensivo da quadra. Forte fisicamente e dono de ótima agilidade lateral, ele tem se imposto sobre os guards adversários ao colocar constante pressão na bola.

Essa característica lhe rendeu minutos situacionais na forte rotação do Clippers na primeira metade da temporada – quando entrou em quadra em 42 jogos (média de 11.1 minutos), sempre designado para defender o melhor guard do adversário nesses momentos.

Em 19-20, Robinson ‘engoliu’ jogadores como Buddy Hiled, Jordan Clarkson e Terrence Ross – que, combinados, não converteram nenhuma de suas 14 tentativas quando defendidos individualmente pelo sophmore.

No acumulado da temp. até aqui, o sophmore limitou guards que defendeu a um aproveitamento de 36.2%.

Apesar da atuação como defensor permitir que ele ao menos ‘sinta o gosto de pisar na quadra’, Robinson necessitará encontrar seu arremesso para se firmar como um jogador de valor e até mesmo um titular na NBA nos próximos anos.

Dono de um gatilho rápido e ótima elevação a partir do uso coordenado de suas pernas no arremesso, ele tem sido um daqueles casos em que o arremesso, apesar de tecnicamente correto e até bonito, insiste em não cair.

Depois de matar 40.9% de sua média de 5.7 tent. longas no último ano de NCAA, Robinson matou apenas 30.4% até aqui na NBA.

Acreditamos que boa parte desses problemas se devem à sua falta de ritmo. Na universidade, ele era muito mais que um shooter e usava seu atleticismo e bom controle de bola para criar constantes oportunidades para si mesmo e para os companheiros com frequência.

Na NBA, com poucos toques na bola, sua missão tem sido se manter pronto para eventuais oportunidades em cenários de catch and shoot (média de 3.7 FG na carreira até aqui).

Com a ausência de Bradley Beal nesse retorno da liga em Orlando, Robinson terá a oportunidade de mostrar mais facetas de seu repertório com minutos e papel estendido em quadra pelo Wizards.

E nós, da Central do Draft, acreditamos que ele mostrará o suficiente para ser visto – a partir de então – como peça importante nessa reconstrução de Washington.

A ver!