Neste debate em torno das melhores duplas jovens da NBA, não faria sentido excluirmos D’angelo Russell e Karl-Anthony Towns, embora este último tenha completado seu 24º aniversário em meados da temporada 2019-2020.

Os dois primeiros selecionados no draft de 2015 (Towns, o 1º; Russell, o 2º) possuem, cada um, uma convocação para o jogo das estrelas e já demonstraram figurar entre os mais talentosos jovens jogadores da liga.

Para vencer em alto nível no âmbito coletivo na Conferência Oeste, porém, a dupla do Timberwolves terá de exibir significativa melhora no lado defensivo da quadra e na intensidade do jogo como um todo.

Examinemos primeiro o caso de Towns, pilar da franquia de Minnesota.

Comecemos pelas coisas boas

O pivô é, de longe, o melhor stretch 4 da NBA – matando cintilantes 41.2% de sua média de 7.9 tentativas de 3-PT por partida e, mais do que isso, fazendo-o também a partir do drible exibindo raríssima coordenação motora para um atleta de 2,11m no uso frequente de step backs e side steps (37.9% de aprov. em pullups para 3-PT com 1.7 tentativas por jogo).

A eficiência para espaçar a quadra se soma a uma boa presença no post (20.3% de seu volume ofensivo), área na qual usa sua já mencionada coordenação em um trabalho de pés afiado em seus drop steps – no post baixo, bem como na habilidade de criar separação com fade-aways – no post médio. Em ambas as situações, exibe tremendo toque.
Outra característica marcante de seu jogo é a habilidade de impactar as partidas a partir do estabelecimento de sua presença física.

O ex-jogador de Kentucky está longe de se encaixar no rótulo de ‘soft’ atribuído por parte da mídia e dos torcedores, e – de maneira consistente – estabelece sua presença em ambas as tábuas de rebote (10.8 por jogo, sendo 47.6% conquistados em situações onde há disputa real pela bola) e indo à linha do lance-livre a um bom índice de 6.5 vezes por jogo em 19-20.

Quando permitido atuar como um ‘um pivô tradicional’ na defesa – cumprindo a missão prioritária é patrulhar o garrafão, Towns produz ainda bom impacto como protetor de aro, utilizando ótimo timing e a envergadura de 2,22m para diminuir o aproveitamento médio dos adversários em 10.4% em chutes dentro do garrafão.

Towns tem condicionamento físico questionável

O impacto positivo do pivôzão do Timberwolves em situações que demandam dele habilidade, força e fundamentos, não se repete quando ele é chamado a atuar com espaço.
Categoriza-lo como ‘fora de forma’ seria um tanto de exagero, mas Towns – certamente – poderia estar em melhores condições em termos de condição atlética.

Ele colocou os piores números da carreira na defesa de perímetro, tendo, pela falta de agilidade, de manter uma distância significativa dos ball handlers em situações de troca e pick and roll – oferecendo-lhes pullups longos e da média distância (oponentes diferam um acréscimo de 4% em seus aproveitamentos médios na bola de 3-PT quando defendidos por ele).

A mesma falta de explosão é vista em:

– cenários de transição, nos quais Towns tem optado frequentemente por atuar como trailer (acompanhando o contra-ataque de trás) ao invés de atuar como um ‘rim runner’ (apenas 39.7th percentile nesses cenários);

– e em pick and rolls, onde tem exibido um ‘pé pesado’ na hora de ‘rolar’ para o aro – além de quase não espaçar a quadra verticalmente (46.4th percentile em PnR’s).

Intensidade de Russell preocupa

Que D’angelo Russell é um dos guards mais habilidosos da liga, ninguém discute.

Canhoto, o ex-jogador de Ohio State tem um excepcional controle de bola – atributo que o permite manter o drible vivo em áreas congestionadas e contra dobras enquanto usa sua altura acima da média para a posição (1,96m) para enxergar companheiros em situações de superioridade numérica.

Russell tem ainda tremenda facilidade para executar passes com o ‘drible vivo’, com apenas uma das mãos, bem como para usar seu já mencionado controle de bola e a envergadura de 2,06m para tirar seu arremesso contra a maior parte dos guards da liga sem ter a necessidade de usar um screen para se desmarcar (96.6th percentile em ISO’s desde sua chegada ao Timberwolves!).

O jogo e os atributos físicos estão ali presentes para torna-lo um ‘allstar perene’ na liga.

Para atingir tal status, no entanto, D’lo terá de mostrar que pode manter a intensidade do jogo com alguma constância – no lugar de variar entre poucos altos e muitos baixos.
Defensivamente, a temporada do jogador de 23 anos de idade tem sido uma tragédia:

– pego com frequência com o joelho pouco flexionado, Russell foi ultrapassado por guards menores (guards converteram 47% de seus chutes quando defendidos por ele);

– falta de disposição para aceitar o contato na hora de conter alas – apesar de ter os atributos para fazê-lo (alas converteram 58% das tentativas contra Russell);- preferindo apostar em ‘adivinhações’ na linha de passe quando fora da bola – colocando os companheiros em situações de inferioridade numérica, no lugar de cumprir funções posicionais importantes.