Quarta escolha do draft de 2017, Josh Jackson (Grizzlies) foi uma enorme decepção para os torcedores do Phoenix Suns em seus dois anos atuando pela franquia.
Por algum motivo inexplicável, aquele jogador intenso, competitivo e capaz de impactar ambos os lados da quadra com sua combinação de ótimo atleticismo e muita versatilidade propiciada por seus 2,03m de altura e envergadura de 2,08m – que encantou scouters durante seu único ano atuando pela Universidade de Kansas – acabou não se transferindo para o estado do Arizona.

Pelo contrário, o que se via era um jogador letárgico e incapaz de ‘compensar’ seu esforço apenas mediano dentro de quadra com atributos técnicos acima da média, já que – naquele estágio – ainda demonstrava sérias lacunas em seu skillset como a incapacidade de converter arremessos do perímetro com consistência (29.4% de aprov. dos 3-PT com média de 2.8 tentativas) e um controle de bola ainda incipiente, que o limitava na utilização de sua capacidade atlética para atacar o aro com mais frequência.

Não bastasse a baixa produtividade dentro de quadra, o jovem ainda se envolveu em incidentes de indisciplina fora dela – tendo sido pego com porte de maconha em evento cultural e acusado de fazer uso da droga perto de sua filha, ainda criança.

Nessa última offseason, Jackson foi envolvido em uma troca que o enviou para a equipe do Grizzlies e, logo que chegou, foi ‘descartado’ pelo staff de Memphis – que o enviou imediatamente para o ‘Hustle’, afiliado da franquia na G-League.

Se escrevia aí uma história típica das que contamos em nossa série ‘Depósito de Busts’.

O ala, porém, tem se recusado a se ‘resignar’ ao status ao demonstrar muita resiliência e, mais importante que isso – evolução – durante a atual temporada da Liga de Desenvolvimento.

Ativo como nos tempos de college, ele tem sido dominante no lado defensivo da quadra – usando seu atleticismo e muita leitura de jogo para ser o atleta mais disruptivo e versátil da competição (1.7 Roubo de Bola e 1.4 Toco) desde a passagem de Pascal Siakam em 16-17.

Sua intensidade e concentração nos detalhes o tem impulsionado ainda a ser o reboteiro acima da média que fora nos tempos de Kansas – fazendo ótimo trabalho nos ‘rebotes de ajuda’ no lado defensivo, buscando bolas fora de sua zona natural (5.7 RBTS defensivos), bem como atacando frequentemente a tábua ofensiva com muito timing (2 RBTS ofensivos).

Mais do que os elementos que apontam para uma possível retomada de sua ‘paixão pelo jogo’ – que parecia perdida nos tempos de Suns, Jackson tem exibido muita evolução técnica durante a atual temporada da G-League (médias de 20.5 pontos / 7.7 rebotes / 4.2 assistências / 45.6% FG / 39% 3-PT com média de 6.6 tentativas por partida).

Utilizado com frequência como ‘principal ball handler’ da equipe, ele tem mostrado muita evolução em seu controle de bola para ‘virar a esquina’ e pisar na área pintada com frequência – explorando essas ocasiões para, com boas decisões, criar arremessos pouco contestados para seus companheiros (4.2 ASTS e 2.8 TO) – bem como para usar seu salto rápido e de grande elevação para finalizar ganchinhos e floaters na área pintada.

Os sinais de que Jackson tem se afastado da ‘rota dos Busts’ não param por aí.

O jovem de 22 anos de idade tem mostrado ainda enorme evolução como arremessador – conectando confortavelmente bolas de 3-PT a partir do drible, usando movimentos avançados como stepbacks e ‘hang dribbles’ (quando o jogador hesita com um drible mais alto como quem se prepara para infiltrar a fim de ‘congelar o defensor’ antes de subir para o pullup).

Seu alto volume de tentativas (6.6 por jogo) e a boa eficiência (39% de aprov.) sugerem que o ala tem realmente trabalhado nesse quesito e que está pronto para matar bolas no próximo nível.

Agente livre irrestrito no próximo verão, Jackson certamente receberá uma nova oportunidade na NBA e – em nossa visão – tem todas as condições de se tornar uma linha história de ‘redenção’ na liga.