Eu não acreditava no Milwaukee.

Até brincava. Comparando o time de Giannis ao Hawks nos tempos em que o atual treinador do Bucks, Mike Budenholzer, comandava em Atlanta um elenco que, protagonizado por Al Horford, Paul Millsap e Kyle Korver, fez grandes campanhas na temporada regular – sem nunca ser um candidato real para o título da NBA.

As similaridades existem.

Tal como o Bucks, aquele Hawks executava com perfeição o sistema espaçado, de cinco abertos, característico do ‘Coach Bud’ – e possuía uma defesa versátil, focada em minimizar os pontos cedidos no garrafão e até disposta a conceder pullups para 3-PT com pouca contestação para fazê-lo.

A comparação, no entanto, era só uma caricatura que eu usava para expressar minhas dúvidas no Milwaukee.

Somente o fato daquele Hawks jamais ter contado com uma superestrela real, um legítimo MVP como Giannis Antetokounmpo (perto de conquistar o prêmio pela segunda vez consecutiva), por si só faz com que o Bucks esteja um patamar a cima do comparativo.

Mesmo assim. Só isso não era, para mim, o bastante.

Antetokounmpo é um colosso de jogador. A intensidade e a presença física com ele que impacta o jogo nos dois lados da quadra permite que o Bucks se mantenha competitivo contra qualquer adversário, em qualquer ginásio da liga.

Mas e quanto aos últimos quartos nos playoffs? Quando o jogo começa a se concentrar mais na meia quadra e é imprescindível contar com alguém que possa criar para si mesmo de maneira consistente em pick and rolls e/ou situações de 1 x 1.

Enquanto não tiver um pullup consistente, o grego não será esse cara. Ele ainda não o é. É todo o resto. Mas isso ainda não.

Então, o que mudou? Eles não continuam com o mesmo problema?

Não.

Não continuam porque Khris Middleton tem dado todos os indicativos racionais de que está pronto para desempenhar esse papel em momentos em que o jogo coletivo e a transição não conseguirem gerar bons arremessos.

Não são só seus números que indicam isso (mas também eles Middleton é um 86th percentile em PnR’s e 63.2th em ISOS e converteu 50.4% de seus arremessos antecedidos por sete dribles ou mais).

Ele finalmente passou ‘no meu teste de olho’.

Está confortável como nunca nesses cenários e, tão importante quanto isso, tem o ‘sinal verde’ de Antetokounmpo para exercer o papel de ‘go-to-guy’ em determinados momentos.

Prova disso, é que mesmo tendo 4.5 arremessos de quadra a menos do que o grego no total, Middleton tem mais tentativas que seu companheiro em situações em que existem 7 ou menos segundos no relógio. Ou seja: “apertou, pode dar no Middleton”.

Então, me peguei pensando.

Se a meus olhos Middleton parece confortável nessas situações, se os números provam que ele é eficiente e se a estrela da franquia deposita nele tamanha confiança. O que é que sobra se não uma necessidade de reavaliação de meu ‘pré-julgamento’ sobre ele?

A conclusão que cheguei é que chegou a hora de confiar que Middleton vai poder pontuar o bastante nessas situações específicas. Até porque elas não lhe exigirão entrar em ‘ISO mode’ com a frequência de um James Harden ou um Kawhi Leonard.

O Bucks é bem treinado e executa um espaçamento perfeito como o Hawks de Budenholzer. Tem um legítimo MVP como seu líder e, por conta de sua fisicalidade, é um time que força com que o adversário jogue em seu um ritmo ‘ultra-intenso’ todas as noites (lidera a liga em pace).

‘Só’ o que vão precisar é de alguém para criar individualmente algumas cestas pontuais em momentos chaves nos quais o adversário tem o ‘momento a seu favor’ e consegue limitar as infiltrações, os contra-ataques e as transições secundárias lideradas por Antetokounmpo.

Isso Middleton está pronto para entregar.

E é por isso que agora eu acredito no Milwaukee.