Um dos freshmans mais produtivos do basquete universitário nos últimos anos, Jabari Parker (Kings) se firmou rapidamente como o cestinha mais avançado de sua classe e ganhou comparações com jogadores como Glenn Robinson e Carmelo Anthony, pontuadores de elite que – pelo tipo físico – puderam ser utilizados como ‘combo fowards’ ao longo de suas carreiras.

Ao listar os pontos fortes do ex-jogador de Duke alguns meses antes do draft de 2014, o analista Jonathan Givony (Draft Express/ESPN) – pontuou seus avançados instintos como cestinha, a habilidade de utilizar seus 2,03m de altura para tirar o chute com facilidade na meia distância e sua qualidade como arremessador, quando equilibrado, como as razões pelas quais Parker estava ranqueado na 2º colocação seu ‘big board’.

Os números e as performances do ala no college endossavam o relato do principal ‘guru’ norte-americano do draft, ao passo que, o então freshman de 18 anos de idade, liderava sua equipe com uma média de eficientes 19.1 PTS (47.3% FG; 35.8% 3-PT com 3 tent.) e, de quebra, usava seu corpo robusto para se estabelecer na tábua de rebotes (8.7 porj jogo.) e ir para a linha do lance-livre com muita frequência (6.1 por jogo).

Ao fim da temp. 13-14 da NCAA, Parker – que foi nomeado para o primeiro time ‘All-America’ – era considerado como uma das escolhas mais segura de uma classe interessante, que contava com nomes como Joel Embiid, Andrew Wiggins, Aaron Gordon, Marcus Smart e Julius Randle.

Em meio a todos comentários elogiosos sobre Parker, dois ‘pontos fracos’ apontados por Givony em sua análise – o preocupante histório de lesões e a facilidade para ganhar sobrepeso, faziam o papel de ‘sinal amarelo’.

Hoje, quase seis anos depois – porém, o que era ‘só’ sinal de alerta se tornou o principal tópico da narrativa da carreira de Parker.

Em seus três primeiros anos na liga, o ala rompeu o ligamento cruzado de um de seus joelhos duas vezes e, pra piorar – aumentou significativamente seu percentual de gordura em ambos os períodos de inatividade, adquirindo um ‘shape’ que o acompanha até hoje e diminui significativamente sua mobilidade em quadra.

Embora, apesar de ‘pesado’, tenha, nos últimos três anos, conseguido se manter um defensor positivo – tanto no garrafão quanto no perímetro, ao contrário do que aponta o senso comum, Parker, aos 25 anos, não tem sido sombra do jogador projetado nos tempos de college.

Seu primeiro passo, já questionado antes das lesões, está longe de assustar seus defensores – que o pressionam na linha dos 3-PT com closeouts agressivos, forçando-o a colocar a bola no chão, apostando na habilidade de se recuperarem a tempo pela pouca explosão de Parker em direção ao aro.

Sem conseguir tirar o chute de fora (32.4% 3-PT com 2.2 tent. na carreira) e sem ter o atleticismo necessário para atuar como um ‘slasher’, o repertório ofensivo do ala foi na contra-mão daquilo que os analistas da atualidade pregam.

Ao invés de ‘bolas de 3-PT e bandejas’, Parker tem pontuado a partir do post e do jogo de meia distância – dois elementos cada vez mais em desuso no basquete contemporâneo.
Não por acaso, apesar dos bons números de sua carreira (15 PTS, 5.8 RBTS, 49.2% FG), Parker não tem recebido o valor de mercado ou a ‘demanda’ por parte de equipes competitivas.

Nas últimas duas temporadas, Parker atuou por quatro equipes diferentes e – atualmente – está sob um contrato que posiciona seu salário em 6.5 milhões de dólares anuais, uma bagatela no mundo da NBA.

O ex-jogador de Duke ainda tem apenas 25 anos. E, na nossa visão, terá ainda diversas oportunidades para achar seu nicho e se encontrar como um contribuinte consistente vindo do banco de reservas.

Apesar disso, é impossível negar que ele é mais um desses casos de ‘decepção’ da história da NBA.