Posição no draft de 2015: 7º

Selecionado por: Denver Nuggets

 

No ano de 2014, o armador Emmanuel Mudiay foi rankeado pelo site especializado “Rivals.com” como o segundo melhor jogador do high school americano – logo atrás do pivô Jahlil Okafor.

À época, acreditava-se que seria uma das três primeiras escolhas do draft de 2015 e que atuaria por uma equipe da “Division 1”, a mais forte do basquete universitário americano.

Apesar de ter se comprometido a jogar pela faculdade de SMU, no Texas, e receber ofertas de outras instituições ainda mais famosas como Arizona, Kentucky e Kansas – a então jovem promessa optou por um caminho diferente: atuar pelo Guandong Tigers, da liga profissional chinesa.

O motivo para tal escolha foi, claro, estritamente financeiro. Filho de congoleses, Mudiay cresceu com muitas dificuldades financeiras e as regras do basquete universitário americano não permitem que seus jogadores sejam remunerados por suas equipes.

Em sua temporada na China o armador obteve médias de 18.6 pontos, 6.3 rebotes e 5.9 assistências – nada mal para um garoto de 18 anos jogando em meio a profissionais, em que pese a fragilidade da liga.

Devido aos bons números que apresentou no Guandong Tigers – bem como pela ótima reputação construída durante a carreira colegial e na AAU com uma capacidade atlética fora do comum e ótima altura/envergadura para a posição, Mudiay seguiu sendo visto como uma escolha de primeira metade da loteria e foi selecionado na sétima posição pela equipe do Denver Nuggets.

Por Que Deu Errado?

No Nuggets, Mudiay foi inserido em uma situação bastante curiosa. A equipe do colorado se via no meio do caminho entre partir para uma reconstrução real ou tentar se manter competitivo.
O jovem, no entanto, conseguiu se estabelecer minimamente no âmbito das estatísticas – alcançando múltiplos jogos com mais de 20 pontos e dois dígitos nas assistências.

A questão é que, apesar dos números, a sétima escolha de 2015 jamais demonstrava ter um jogo modelado para a NBA atual. Sua incapacidade de converter arremessos de média e longa distância, com respectivos 36% e 32% de aproveitamento na temporada de estreia, era evidenciada pela forma com que os adversários o defendiam – sempre mantendo distância para impedir as infiltrações, oferecendo a ele o chute de fora.

Mudiay também não conseguiu se estabelecer como um armador mais puro, que cria movimento e ritmo para sua equipe – abusando das jogadas de ISO.

Era a clara a falta de maior polidez de seus fundamentos mais básicos como controle de bola, passe e bandeja com a mão esquerda – tudo isso causado, em partes, pelo fato do jogador não ter passado pela experiência de pelo menos um ano no basquete universitário.

Não foram raras as vezes em que o Nuggets teve de recorrer a veteranos como Jameer Nelson para ‘fazer o time funcionar’ na posição de armador- de modo que Mudiay se viu, muitas vezes, tendo de jogar na posição dois – na qual sua incapacidade de pontuar do perímetro ficou ainda mais evidenciada.

A chegada de Jamal Murray só piorou a situação do armador que passou a não ver mais minutos em quadra – relegado ao chamado ‘garbage time’.

Tal situação culminou em uma troca para o New York Knicks e – posteriormente – transferência para o Utah Jazz, onde Mudiay, como backup de Mike Conley, tenta provar que é – ao menos – um jogador útil na NBA, ainda que distante do status de promessa de grande jogador que um dia lhe foi atribuído.

A Central do Draft Brasil acredita que Mudiay é um típico caso de jogadores que – pela vantagem física que possuíram em outros níveis – deixaram de aprimorar os elementos básicos do jogo e, por conta disso, não atingiram todo seu potencial.