Enquanto a maioria dos novatos selecionados na loteria do Draft iniciam suas carreiras na NBA já com minutos garantidos na equipe principal de suas respectivas franquias, jovens escolhidos no final da primeira rodada e – sobretudo – na segunda, tendem a passar parte significativa de seus primeiros anos atuando na Liga de Desenvolvimento, a G-League.
A experiência de ter de ‘mostrar seu valor’ na equipe afiliada funcionou para diversos jogadores que hoje possuem papel importante na liga, casos de Spencer Dinwiddie (Nets) – de 28 jogos na G-League, Monte Morris (Nuggets) – de 37 jogos na G-League; e Ivica Zubac (Clippers) – de 28 jogos na G-League.
Com o objetivo de observar a curva de evolução dos novatos do último draft que foram alocados para G-League durante a maior parte de 19-20 – assistimos a diversas partidas da competição.
Nesta publicação, trazemos os três principais calouros da temporada da Liga de Desenvolvimento – observando não apenas suas produções na competição, mas também a maneira com que atuaram a fim de projetar a tradução dessas atuações para a NBA em um futuro próximo.
1) Keldon Johnson (San Antonio / Austin Spurs) 20.3 PTS / 5.8 RBTS / 1 Roubo / 53.2% FG / 23.7% 3-PT / 31 jogos

Vê-lo cair para a 29ª colocação do último draft foi, por si só, uma grande surpresa. Johnson possui todos os atributos físicos (1,96m de alt., enverg. de 2,08m; 100kg) e a mentalidade para se tornar um defensor de alto nível na NBA – tal como foi em sua única temporada pela Univ. de Kentucky.
Na G-League, o ala confirmou essa imposição defensiva sobre os adversários e – de quebra – foi uma força imparável como slasher, utilizando seu atleticismo acima da média e muita agressividade para converter impressionantes 61.1% de suas 11.6 tentativas para 2-PT por partida.
Para se firmar na NBA, no entanto, Johnson terá de seguir trabalhando em seu arremesso de 3-PT – área que, apesar do sucesso no college (38.1%), tem tido problemas desde os tempos de high school.
2) Tremont Waters (Boston Celtics / Maine Red Claws) 18 PTS / 7.3 ASTS e 3.6 TO / 2 Roubos / 42.9% FG / 35.4% 3-PT com 7.1 tentativas por jogo / 36 jogos

Claramente em um estágio acima da competição enfrentada, Waters- já de 22 anos – se consolidou rapidamente como um dos melhores armadores da G-League.
Com muita agilidade e visão de jogo, Waters desmontou defesas na meia quadra partir do pick and roll – tanto como scorer, utilizando screens para tirar seu arremesso longo ou invadir o garrafão e finalizar bom toque em seus floaters, quanto (e principalmente) como playmaker, executando leituras avançadas como ‘skip passes’ encontrando o corner oposto.
Em termos de skill e ‘instinto para o jogo’, não há dúvida que o ex-jogador de LSU está pronto apra contribuir na NBA – resta saber se ele fará o bastante para ‘sobreviver defensivamente’ a despeito dos 1,78m de altura.
Na G-League, seu QI de basquete e agilidade foram suficientes para lhe garantir um desempenho defensivo satisfatório como ‘força disruptiva’.
3) Jalen McDaniels (Charlotte Hornets / Greensboro Swarm) 15.9 PTS / 7.7 RBTS / 2 Roubos / 1.1 Toco / 44.3% FG / 38.6% 3-PT / 31 jogos

Escolhido na 52ª posição do último draft, McDaniels deu sinais importantes de que será capaz de transformar seus intrigantes atributos físicos em um jogador sólido de NBA.
Dono de uma envergadura de 2,15m e boa mobilidade para um jogador de 2,08m de altura, o ala exibiu bom entendimento do jogo para ser disruptivo nas linhas de passe e na proteção ao aro – bem como a versatilidade para defender alas e alas-armadores no perímetro, atributo importante se contextualizado com sua falta de força física (88kg) para defender jogadores de garrafão mais tradicionais.
Outra característica fundamental exibida por McDaniels na temporada foi sua consistência na linha dos 3-PT – arma com a qual pôde punir lineups mais tradicionais, espaçando a quadra com seus 38.6% de aproveitamento (3.7 tentativas).
As mais do que sólidas performances do novato de 22 anos lhe garantiu um espaço na rotação da equipe principal do Hornets a partir da parada para o ASG, período em que atuou em 11 partidas consecutivas com média de 20.8 minutos por jogo.