Aos 21 anos, o rio-clarense foi destaque da última temporada do basquetebol argentino e fez parte da seleção brasileira campeã sul-americana sub-21 em 2019

 

Na noite desse domingo, 27/04, a maior parte da comunidade do basquete brasileiro foi surpreendida com a notícia de que o país teria no armador Caio Pacheco, de 21 anos, um representante no draft de 2020 da NBA.

Diferente do ala-armador Didi, que antes de ser escolhido na 35ª posição da seleção do ano passado havia ganhado notoriedade nacional pelas performances pela equipe de Franca-SP no NBB, Pacheco esteve distante dos holofotes do torcedor tupiniquim nos dois últimos anos ao seguir uma trajetória um tanto peculiar.

Nascido na cidade de Rio Claro-SP, o armador de 1,87m passou pela equipe de seu município natal, além de Limeira e Palmeiras, durante sua trajetória nas categorias de base.

Há dois anos, no entanto, topou o desafio de atuar em solo argentino – assinando contrato com o Weber Bahia Blanca.

Logo em sua primeira temporada, Pacheco recebeu oportunidades importantes na equipe principal do novo clube – atuando em 19 partidas com uma média de 21 minutos por jogo.

O papel relevante em uma liga de referência como a de nossos hermanos o impulsionou a ser convocado para a disputa do sul-americano sub-21 pela seleção brasileira comandada pelo treinador Léo Figueiró – onde formou excitante dupla de armadores ao lado do baixinho Yago, do Paulistano, e se sagrou campeão do torneio.

Nesta última temporada, sua segunda com o Weber Bahia Blanca, o armador brasileiro deixou o status de jovem que se ‘habituava ao novo país’ para se tornar um dos principais destaques do basquete argentino.

Mesmo atuando como titular em apenas 5 das 21 partidas que disputou, Pacheco foi o cestinha da competição com média de 19.4 pontos (45.3% de aproveitamento nos arremessos de quadra) e teve impacto também como criador de jogadas ao distribuir média de 6 assistências (3.43 TO).
Nascido em Bahia Blanca, Manu Ginobili prestigiou o brasileiro durante a temporada 2019-2020
Estilo de jogo

Em entrevista concedida à agência Brasil em março de 2020, Pacheco apontou Facundo Campazzo (Real Madrid) e Trae Young (Hawks) como dois armadores que lhe servem como fonte de inspiração.

Apesar de ainda estar longe da acurácia de ambos na linha dos 3-PT, é possível ver traços de ambos no estilo agressivo e contemporâneo com que Pacheco atua.

Tudo o que o brasileiro faz em quadra é ’em modo de ataque’.

Forte fisicamente para a posição, ele tem sua melhor versão quando partindo ‘ladeira abaixo’ em direção à cesta – cenário em que usa a habilidade de finalizar bandejas com ambas as mãos, bem como de iniciar e absorver contato para ir à linha do lance-livre com muita frequência (média de 6.9 tentativas por jogo em 19-20).

É a partir dessa ameaça constante de suas infiltrações que Pacheco ‘libera’ seu jogo de passe, mostrando muita maturidade e visão de jogo para reagir ao comportamento da defesa adversária e encontrar companheiros livres nas situações em que atrai a ajuda.

Tal como Young e Campazzo, o brasileiro ‘ataca para pontuar’, força a defesa a reagir e aí sim toma suas decisões entre passe ou arremesso.

O próximo passo de seu jogo é se tornar mais consistente nos arremessos de perímetro – onde mostrou ‘flashes’ daquilo que pode vir a se tornar com um tremendo salto, em 19-20, em relação à seu primeiro ano no Weber Bahia Blanca.

Depois de converter apenas 18% de uma média de 3.2 tentativas de 3-PT no ano passado, Pacheco saltou para um aproveitamento de 28.8% com 4.5 tentativas longas por jogo nesta temporada.
Mais importante que os números frios, porém, é a maneira com que o armador brasileiro tem ‘tirado’ seus arremessos – mostrando bom trabalho de pernas e equilíbrio para arremessar pullups em trocas contra jogadores mais pesados e/ou cenários em que seu defensor opta por ir ‘para baixo’ do corta-luz, bem como não hesitando em deixar a bola voar a dois ou três passos da linha dos 3-PT, mostrando aquilo que os americanos chamam de ‘NBA Range’.

Na defesa, Pacheco compete com a mesma fisicalidade com que ataca o aro e tem mostrado entendimento tático acima da média para a idade na defesa coletiva.
Seus 1,87m de altura, no entanto, é fator limitador de sua versatilidade defensiva – projetando-o como alguém que dificilmente será capaz de defender alas-armadores mais tradicionais na NBA.
O Draft

A inscrição de Caio Pacheco no draft de 2020 surpreendeu boa parte dos scouters dos Estados Unidos – que o projetavam como um nome esperado para a seleção de 2021.

Talvez por isso, ele nem sequer figure no respeitado ‘Top 100 disponível’ de Jonathan Givony, da ESPN Americana.

Por esse fator ‘inesperado’, é difícil – à essa altura – projetar as chances do brasileiro de figurar nas 60 primeiras escolhas do Draft, mas é certo que sua combinação de perfil físico e experiência internacional tende a torna-lo mais atrativo para General Managers do que armadores que têm tido seus nomes ventilados no final da segunda rodada tais como Markus Howard (Marquette) e Tyrell Tery (Stanford).