Antes do início da temporada, a maioria dos analistas e olheiros já apontavam para a enorme possibilidade da corrida para o Prêmio de Calouro do ano ficar restrita a apenas dois jogadores: Deandre Ayton (Suns) e Luka Doncic (Mavericks).

Pouco mais de duas semanas após a bola subir, os dois jogadores parecem confirmar os prognósticos e iniciam o processo de distanciamento do restante da classe – sobretudo após a queda de produção de Trae Young (Hawks) e Jaren Jackson Jr. (Grizzlies) que, na primeira semana, atuaram de forma brilhante dando indícios de que poderiam ser sérios concorrentes na disputa. Ainda podem, claro, mas a essa altura já estão há alguma distância dos dois favoritos ao prêmio.

 

Confira abaixo o top 5 após o mês de outubro da NBA:

 

1 – Deandre Ayton (Suns) – 16.9 pontos / 10 rebotes / 3.3 assistências / 61.6% de aproveitamento nos arremessos de quadra

O pivô tem sido tudo aquilo que projetavam para ele saindo de Arizona e talvez um pouquinho mais. A combinação de altura, envergadura, força física, mãos enormes, excelente trabalho de pernas e bom toque no arremesso tem feito de Ayton puna invariavelmente qualquer tipo de mismatch na área pintada – não dando chances para jogadores mais baixos incomodarem seu arremesso. Além disso, quando defendido por jogadores mais lentos, Ayton se utiliza do jab step seguido do chute de média distância para pontuar com facilidade.

Já o ‘pouquinho mais’ ao qual nos referimos na primeira linha da análise, se dá por conta de sua surpreendente capacidade de criar jogadas para seus companheiros a partir dos cotovelos do garrafão com grande visão de jogo e solidez que o permite – ao mesmo tempo deixar seus companheiros em ótima condição para finalizar as jogadas e proteger a bola de possíveis desvios da defesa adversária. Nesse sentido, sua relação de assistências por turnover fica abaixo apenas de Trae Young entre todo o grupo de calouros.

 

2 – Luka Doncic (Mavericks) – 19.6 pontos / 6.3 rebotes / 4.4 assistências / 45.8% de aproveitamento nos arremessos de quadra / 4 desperdícios de bola

Se alternando entre as posições 3 e 4 na equipe de Rick Carslile, o esloveno tem – surpreendentemente – se mostrado mais confortável como pontuador do que como criador de jogadas para seus companheiros, área na qual tem encontrado sérios problemas com os desperdícios de bola (ou turnovers) – com média de 4 por partida.

Como pontuador, porém, Doncic começa a se estabelecer como um jogador difícil de conter pela combinação de força física para manter o adversário em suas costas ao sair do pick and roll e excelente toque nos floaters. Seus 40% de aproveitamento no arremesso de três, aliás, têm contribuído significativamente para que ele possa bater seu adversário mesmo sem um primeiro passo tão atlético. Isso porque o adversário tem de ‘brigar’ para se desvencilhar do bloqueio de um ótimo ‘screener’ como Deandre Jordan – a fim de não permitir que Luka simplesmente arremesse com espaço ao ser protegido pelo pivôzão.

 

3 – Trae Young (Hawks) – 19.1 pontos / 6.6 assistências / 34% de aproveitamento na linha dos três pontos

Como adiantado pelo NBA Rookies Brasil na série ‘previsões da temporada’, o armador tem no passe e na capacidade de envolver seus companheiros sua habilidade mais desenvolvida para o jogo da NBA. Não por acaso, Young é o único novato a ter a média respeitável de mais de duas assistências para cada turnover cometido.

Já no chute de três, área que criou toda sua publicidade nos tempos de basquete universitário, Young ainda mostra demasiada inconsistência – quando em noites nos lembra os motivos de ser comparado a Stephen Curry convertendo chutes de longas distância com um gatilho excepcionalmente rápido e em outras não consegue converter arremessos sem contestação bem equilibrado na linha dos três.

 

4 – Marvin Bagley (Kings) – 12.4 pontos / 7.1 rebotes / 1.3 toco / 53.4% de aproveitamento nos arremessos de quadra

Sua capacidade atlética brilhante começa a impactar o jogo dos profissionais de maneira semelhante com que o fez no universitário. Bagley é, toda noite, o jogador de garrafão mais rápido, ágil e explosivo em quadra e coloca pressão constante no aro adversário ao acelerar na transição – com ou sem a bola – e ao brigar por todos os rebotes com múltiplos saldos rápidos.

Sua capacidade de altar diversas vezes em um curto espaço de tempo como se quicasse no chão, aliás, o torna um jogador efetivo na proteção do aro mesmo sem possuir a disciplina para se manter no chão durante ameaças de arremessos ou ‘pump fakes’. Bagley pula em linha reta para não cometer faltas nesses fakes e quando o adversário acredita que o bateu após Bagley retornar ao chão, o ex-jogador de Duke utiliza sua agilidade e envergadura para saltar novamente e bloquear o adversário.

Tecnicamente ainda falta muito para a segunda escolha do draft se tornar o que o torcedor do Kings espera, mas sua condição atlética abençoada o permite impactar o jogo mesmo ainda ‘cru’.

 

5 – Jaren Jackson Jr. (Grizzlies) 11.5 pontos / 5.2 rebotes / 1.2 roubo de bola / 1 toco

O melhor defensor da classe de 2018 tem sido um terror para os adversários que tentam coloca-lo em situações de pick and roll. Sua habilidade de marcar dois jogadores ao mesmo tempo é única ao utilizar sua agilidade para conter o homem da bola em hedges (quando o homem grande dobra no jogador da bola em pick and rolls) ou em hard shows (quando o homem grande dá um passo a frente para acuar o homem da bola e retorna rapidamente ao seu), e sua envergadura para ser disruptivo contestando tentativas de arremesso ou passe do jogador da bola.

No ataque, entretanto, Jackson não tem mantido a mesma consistência demonstrada na primeira semana da temporada – sobretudo no âmbito do espaçamento de quadra, onde converte apenas 15.4% dos arremessos de longa distância.