Embora muito do processo pré-draft seja baseado na análise de conjunto de habilidades e ferramentas físicas, a atmosfera de pressão do March Madness pode contribuir – e muito – para a avaliação de scouts ao revelar elementos viscerais da personalidade e da inteligência emocional dos jovens da NCAA.

Embora a história nos mostre que a performance no principal palco do basquete universitário mundial não deve suplantar toda a análise prévia realizada sobre o atleta, elas podem, com razão, impulsionar o stock de jogadores que intrigaram os scouts até ali, mas que ainda possuíam questionamentos sobre suas competitividades, tomadas de decisões e ‘clutch gene’.

Dentro deste contexto, apontamos cinco jogadores que podem dar saltos importantes no draft com base em seus desempenhos no mata-mata da NCAA.

 

1 – Franz Wagner (Michigan), 20º no mock draft da ESPN Americana, 18º no Bleacher Report e 25º na CBS

Protagonista de um dos principais favoritos ao título nacional, o ala – que intriga pela versatilidade com que defende as 5 posições na quadra e atua em diferentes funções no ataque – Wagner tem atingido o ‘topo’ de seu jogo na hora certa.

Seu aprov. na bola longa, inconsistente no início do ano, finalmente tem correspondido à tremenda mecânica e toque (50% dos 3-PT com 4.4 tent.) nos últimos 5 jogos – e somado à sua habilidade de colocar a bola no chão e atacar o aro com muita fluidez e fisicalidade no alto de seus 2,06m de altura, o tem tornado a opção ofensiva nº1 de sua equipe.

Wagner ultrapassou a marca dos 20 pontos em 3 de seus últimos 4 jogos na temporada – marca esta que havia atingido apenas duas vezes em seus dois anos de toda sua carreira universitária.

Caso repita o feito de seu irmão, Moe Wagner (Wizards), levando sua equipe às fases decisivas do March Madness (Wagner foi vice-campeão por Michigan em 17-18), Franz poderá se consolidar como uma escolha inquestionável de loteria no próximo mês de julho.

 

2 – Ayo Dosunmu (Illinois), 25º na ESPN, 22º no Bleacher Report e 16º na CBS

Depois de iniciar a temporada 2019-2020 cotado como uma escolha de loteria do draft do ano passado e acabar caindo nas projeções pela falta de desenvolvimento de um arremesso minimamente consistente (29.6% dos 3-PT em 19-20), Dosunmu voltou para seu terceiro ano em Illinois para não deixar dúvidas de que pertence à NBA.

Dono de medidas de elite para um armador (1,96m de alt., 90kg e enverg. de 2,06m), o júnior tem sido um pesadelo para adversários em cenários de infiltração (5.4 LL por jogo; 5.3 ASTS) – explorando os espaços que criou a partir do fato de ter se tornado uma ameaça real na linha dos 3-PT (40% com 3.2 tent.) e nos pullups de meia distância.

Líder de uma das melhores equipes da NCAA em 20-21 (Illinois é a 5ª no ‘power ranking’), Dosunmu poderá escalar drasticamente no draft caso prove aos scouts que pode manter sua eficiência no arremesso contra as melhores defesas do EUA e, quem sabe, levar Illinois de volta ao Final Four pela primeira vez desde o ano de 2005.

 

3 – Jared Butler (Baylor), 30º na ESPN, 20º no Bleacher Report e 23º na CBS

Um dos cestinhas mais habilidosos do basquete universitário em 2019-2020, Jared Butler retornou para seu terceiro ano na NCAA com a missão de provar que era um legítimo ‘combo guard’ – acrescentando a habilidade de criar para os companheiros a partir do drible, a fim de minimizar os questionamentos de ‘undersized SG”, rótulo que o acompanha pelas medidas abaixo da média para um ala-armador (1,90m de altura e enverg. de 1,92m).

19 jogos após o início da temporada, Butler não apenas cumpriu sua missão como transcendeu às expectativas – aumentando não apenas o volume de vezes que cria para os companheiros (de 3.1 para 4.9 ASTS), como fazendo-o de maneira mais segura e efetiva (saiu de um ASTS/TO Ratio de 1.2 para 1.8).

Seu conjunto de habilidades ofensivo poderá ser crucial para confirmar a campanha história de Baylor (18 V e 1 D) – impulsionando o programa a uma corrida longa no March Madness, algo que certamente abrirá os olhos de scouts quanto à sua capacidade de chegar e já contribuir de imediato em equipes competitivas no próximo nível.

 

4 – Terrence Shannon Jr. (Texas Tech) 25º na ESPN, não-ranqueado no Bleacher Report e 20º na CBS

Longe de ser um jogador que encanta pela polidez de seus atributos técnicos, Terrence Shannon Jr. terá seu valor mensurado pelo impacto que produz nos resultados de sua equipe.

Dono de medidas excepcionais para um ala na NBA atual (1,98m de altura, 95kg e enverg. de 2,08m), Shannon Jr. pode sufocar jogadores das posições 2, 3 e 4 no lado defensivo da quadra, utilizar sua combinação de força física de ala e controle de bola de armador para chegar ao aro com frequência (‘overpower’ guards de seu tamanho; é mais ágil que alas e alas-pivôs) – elementos que lhe conferem versatilidade e o coloca na categoria de jogadores híbridos para lá de bem sucedidos na NBA, como Lu Dort (Thunder) e Josh Hart (Pelicans).

Uma boa campanha de Texas Tech (14º colocado no ranking da NCAA) e poderá ter efeito semelhante ao que teve para a mais recente estrela do programa, Jarrett Culver (Timberwolves) – há 2 anos – e incluir seu nome na conversa para a loteria do draft de 2021.

 

5 – Tre Mann (Florida) 32º na ESPN, não-ranqueado no Bleacher Report e na CBS

Um dos jogadores que mais evoluiu de 19-20 para 20-21, Tre Mann tem construído um caso sólido para ter seu nome chamado na primeira rodada do draft de 2021.

Sua combinação de medidas de elite para um armador (1,96m de altura e enverg. de 2,00m) intrigam por si só por lhe conferirem potencial de versatilidade posicional na defesa e na tábua de rebotes (5.8 rebotes em 20-21!).

O que tem atraído olhares para seu jogo, no entanto, é seu tremendo crescimento como arremessador (de 27.5% com 2.8 tent. em 19-20 para 39.8% com 4.4 tent. na linha dos 3-PT em 20-21) – elemento que será crucial para permitir que a forte defesa de sua equipe possa superar as limitações ofensivas do elenco e se tornar uma ameaça real ao longo do March Madness.