Papel esperado: Ponto focal do ataque
Projeção estatística: 20 pontos / 9.3 rebotes / 44% FG / 38% 3-PT

Durante os rumores offseason recém-encerrada, insiders de credibilidade como o repórter da ESPN Americana – Adrian Wojnarowski, afirmaram que, de todos os jovens jogadores e assets do elenco do Bulls, o ala-pivô Lauri Markkanen era o único que carregava o status de ‘intocável’.

Decisão fácil para o competente Arturas Karnisovas, o novo ‘manda-chuva’ do basquete de Chicago.

Afinal, embora o ex-jogador da Universidade de Arizona tenha sofrido com seguidas lesões nestes primeiros anos de carreira na NBA – seu conjunto de habilidades técnicas e atléticas é raro o bastante para que a franquia esgote todas as tentativas de ‘fazer dar certo’ antes de disponibilizar seu nome em qualquer negociação.

A necessidade de se adotar uma postura paciente com Markkanen se acentua ainda mais quando contextualizada com seu péssimo encaixe no sistema ‘old school’ do treinador Jim Boylen, que ignorava boa parte daquilo que o faz especial para usa-lo como um ala-pivô acionado quase que estritamente no jogo de dupla – fosse pick and roll ou pick and pop.

“Eu tinha cerca de 80 toques por jogo nas minhas duas primeiras temporada. Na última, com Boylen, esse número caiu para 40”, afirmou Markkanen em participação no podcast finlandês ‘Urheilucast’.

Agora, com Billy Donovan, treinador que se notabilizou pela utilização de jogadores como Joakim Noah e Al Horford como ‘point fowards/point centers’ durante sua passagem pela Universidade da Flórida, Markkanen voltará a poder utilizar sua coordenação motora incomum para um jogador de seu tamanho (2,13m de altura e 109kg) – colocando a bola no chão e iniciando o ponto de ataque no perímetro.

Essa maior participação na construção ofensiva da equipe, não apenas permitirá com que o jovem maximize sua vantagem de mobilidade e agilidade na troca de direção contra a maior parte dos defensores de sua posição, mas terá impacto direto em sua capacidade de ‘adquirir ritmo’ dentro das partidas.

Alguns jogadores se sentem confortáveis e engajados com poucos toques na bola – se concentrando nas ‘pequenas coisas’ como corta-luzes e na briga na tábua, e se mantendo prontos para conectar chutes criados para eles de maneira ‘aleatória e esporádica’ em cenários de catch and shoot.

Markkanen não é um desses jogadores. Tal como Kristaps Porzingis, que sofreu para se adaptar a um papel menos participativo no ataque do Mavericks quando atuando ao lado de de Luka Doncic, o finlandês mostrou precisar de mais participação e de uma ‘coleira mais longa’ para poder ‘sentir o jogo’.

Em termos de habilidades, Markkanen já mostrou o suficiente. Seu trabalho de pés, o controle de bola e – claro – o excepcional toque na bola como arremessador, são especiais e têm tudo para fazer de um mismatch constante contra os mais diferentes tipos de defensores escolhidos para marca-lo.

Sua mobilidade para defender alas e guards no perímetro é também razão para otimismo quanto à sua contribuição no lado defensivo.

Ele, em suma, está pronto para explodir. Para ser, quem sabe, um allstar – já em 2020-2021. O que falta – ou, melhor, faltava – era a oportunidade.