O termo ‘Power Foward’ (ala de força) utilizado na NBA por anos para descrever jogadores que atuavam na posição 4, apesar de ainda vigorar oficialmente, não faz mais lá tanto sentido no basquete contemporâneo.

Hoje, scouts esperam que os ‘4’ sejam atletas mais versáteis em termos de skillset – capazes de colocar a bola no chão e criar para os companheiros se preciso, bem como espaçar a quadra com o arremesso de 3-PT.

Pouco comentados em meio a um ‘mar de armadores’, os cinco melhores alas-pivôs da classe de 2020 têm grandes chances de terem sucesso no próximo nível – justamente por possuírem esse conjunto de habilidades variado, bem como – em sua maioria – atleticismo suficiente para defender múltiplas posições.

Usamos: 4 para apontar um possível ‘allstar’; 3 para categorizar alguém que possa vir a ser um bom titular na NBA e 2 para classificar alguém que possa, eventualmente, se tornar peça integrante na rotação de uma equipe de NBA.

Confira abaixo:

 

1) Obi Toppin – 21 anos
Medidas: 2,06m de altura e envergadura de 2,11m
Teto: allstar
Características: Com excelente ‘timing’ para disparar sem a bola em contra ataques e muita velocidade na quadra aberta, Toppin é um pesadelo para pivôs tradicionais na transição – batendo-os facilmente para finalizar cestas fáceis na área pintada. Na meia quadra, ele atua em sua melhor versão quando utilizado em cenários de pick and roll – nos quais faz bom trabalho oferecendo ângulos de passe para os companheiros e mostra estupendo controle corporal para dar sequência à jogada após receber a bola em movimento, seja atacando o aro com muita agressividade sem colocar a bola no chão, usando seu controle de bola compacto para encontrar gaps na defesa a fim de subir para seus ‘ganchinhos’ curtos com muito toque. Sua efetividade atacando o aro tem sido ainda potencializada pela evolução que teve como arremessador (36.4% de aprov. com 2.6 tent. em 19-20) – o que faz com que seus marcadores tenham de respeita-lo do perímetro, dando-lhe a oportunidade de atacar closeouts em linha reta colocando a bola no chão e/ou de ‘rolar’ para a cesta com muita agilidade para bater a marcação pressionada.

 

2) Precious Achiuwa – 20 anos
Medidas: 2,06m de altura e envergadura de 2,19m
Teto: allstar
Características: A habilidade de defender as posições 2, 3 e 4 ao estilo Al Farouq-Aminu é exatamente o que os scouters da NBA buscam no momento e por si só já lhe garantiria um lugar na 1ª rodada do draft de 2020. Diferente do nigeriano, no entanto, o maliano mostra potencial ofensivo por sua habilidade de controlar a bola, bater seus adversários no 1 contra 1 na transição e – eventualmente – em situações de screen and roll, a fim de chegar ao aro, onde finaliza com um corpo surpreendentemente forte (102kg) para um jogador tão jovem com um tipo físico longo como o dele.

 

 

3) Jalen Smith – 19 anos
Medidas: 2,08m de altura e envergadura de 2,18m
Teto: titular
Características: Ponto focal de sua equipe, tem demonstrado demonstrar seu vasto conjunto de habilidades como ‘homem grande’ (15.3 PTS e 54% FG em 19-20). Atleta fluido, com passadas largas e muita mobilidade para um jogador de 2,08m de altura, quadra’, Smith tem sido capaz de bater a maior parte dos pivôs no nível universitário ao colocar a bola no chão quando de frente para a cesta em face-ups e pick and pops – sobretudo por obriga-los a respeitar seu chute de média e longa distância (39.4% dos 3-PT com média de 2.6 tentativas por jogo). O mesmo atleticismo fluido, combinado com a envergadura de alto nível para um ala-pivô e/ou pivô de small ball na atualidade, dão a ele excelente potencial no lado defensivo da quadra – área na qual utiliza sua facilidade para se mover lateralmente a fim de pressionar o homem da bola em situações de pick and roll (bem como trocar no perímetro – eventualmente) e seus saltos rápidos e sequenciais para proteger o aro (média de 3 tocos no torneio nacional da NCAA 18-19 e de 2.3 na atual temporada).

 

4) Saddiq Bey – 20 anos
Medidas: 2,03m de altura e envergadura de 2,11m
Teto: titular
Características: com medidas físicas abaixo da média para a posição e uma condição atlética apenas mediana, Bey utiliza sua capacidade de espaçar a quadra para liberar todas as áreas de seu jogo. Efetivo em cenários de catch and shoot, mas também capaz de criar o próprio chute a partir do drible em situações eventuais, o sophmore converteu incríveis 45.1% de uma média de 5.3 tentativas na atual temporada universitária – forçando os adversários a pressiona-lo na linha dos 3-PT, ambiente perfeito para que ele possa colocar a bola no chão a fim de criar para si mesmo ou os companheiros (2.4 ASTS e 1.4 TO) a partir de suas infiltrações. Como ‘bom jogador de Villanova’, o jovem levará ainda para a NBA uma mentalidade ‘durona e competitiva’, características que devem fazer dele um defensor aceitável a despeito das limitações físicas. Seu pouco impacto na tábua de rebotes (5.1 em 19-20), no entanto, preocupa quanto à sua produção contra lineups mais altos.

 

5) Zeke Nnaji – 19 anos
Medidas: 2,11m de altura e envergadura de 2,17m
Teto: jogador de rotação com possibilidade de se tornar um titular
Características: com um atleticismo para lá de fluido e aquilo que chamamos de ‘live body’ – sempre aparentando atuar em uma alta rotação e intensidade, batendo os adversários nas ‘bolas divididas’ e conquistando novas posses de bola para sua equipe com frequência (3 rebotes ofensivos por jogo em 19-20), Nnaji se projeta como uma excelente peça de energia para vir do banco de reservas no próximo nível (papel semelhante ao exercido por Brandon Clarke na atual temporada).
Seu nível de atividade, somado à agilidade na hora de correr a quadra, o torna um encaixe perfeito para sistemas de transição e que possuem bom espaçamento em jogadas de pick and roll – liberando o meio da quadra para que Nnaji possa ‘rolar para o aro’. O freshman de Arizona é, na verdade, um ‘duas estrelas e meia’, ao passo que está a um ‘jump shot’ de distância de se tornar um titular em potencial na NBA.