Depois de parecer estar definida, a disputa pelo Prêmio de Calouro do Ano dá indícios de que pode ser interessante daqui até o final da temporada regular.

Isso porque ao mesmo tempo que Zion Williamson (Pelicans) tem confirmado toda a hype que cerca seu nome desde os dias de high school apresentando um impacto como novato não visto desde Tim Duncan, em 1997-1998, Ja Morant (Grizzlies) parece ter batido naquilo que chamamos de ‘rookie wall’.

Desde a parada para o Jogo das Estrelas, o armador fechou no zero a zero a conta de assistências por turnover (3.8 ASTS e 3.8 TO) e simplesmente não encontrou sua distância na linha dos 3-PT (12.5% de aproveitamento com tentativas por jogo).

Para piorar, no âmbito coletivo – a distância de sua equipe para o nono colocado que antes era de 5.5 jogos, hoje é de apenas 3.

Confira abaixo a análise do Top 5 dos novatos:

1) Ja Morant (Grizzlies) 17.5 PTS / 6.8 ASTS e 3.3 TO / 49.1% FG / 34.2 3-PT com 2.2 tentativas por jogo

Tradicionalmente na NBA costuma-se mencionar o termo ‘rookie wall’ para descrever o momento em que um novato parece cansado, sem a energia demonstrada nos primeiros jogos da temporada.

É exatamente nessa situação em que se encontra Ja Morant, novato que – depois de brilhar na maior parte da temporada – tem tido sua sequência mais difícil desde a parada para o Jogo das Estrelas.

Nos últimos quatro jogos, que terminaram com quatro derrotas para a ‘excitação’ dos adversários que desafiam Memphis pelo oitavo lugar do Oeste, o armador fechou no zero a zero a conta de assistências por turnover (3.8 ASTS e 3.8 TO) e simplesmente não encontrou sua distância na linha dos 3-PT (12.5% de aproveitamento com tentativas por jogo).
Para piorar, no âmbito coletivo – a distância para o nono colocado que antes era de 5.5 jogos, hoje é de apenas 3.

Morant e o Grizzlies acumularam boa gordura na primeira metade da temporada, mas à essa altura já não se sabe se será suficiente para garantir a ambos seus objetivos respectivos de Prêmio de Calouro do Ano e vaga para os playoffs.

 

2) Zion Williamson (Pelicans) 23.3 PTS / 7.1 RBTS / 57.3% FG / 8.7 lances-livres por jogo com 61.9% de aproveitamento

Depois de 13 jogos como profissional, a primeira escolha do draft de 2019 não apenas confirmou os superlativos da hype que o acompanhava desde o high school – como tem superado expectativas.

Williamson não tem apenas dominado individualmente com seu atleticismo único na história da liga – que o permite a, no alto de seus 129kg, ser mais ágil, mais forte e mais explosivo do que a esmagadora maioria os adversários que tem pela frente, mas tem tido um inegável impacto no desempenho coletivo de sua equipe.

Com ele em quadra, o Pelicans tem uma vantagem acumulada de 6.7 pontos no placar.

 

3) Kendrick Nunn (Heat) 15.7 PTS / 3.6 ASTS e 1.7 TO / 44.6% FG / 34.7% 3-PT com 5.7 tentativas por partida

É verdade que o Heat vive – de longe – seu pior momento na temporada, tendo perdido sete de suas últimas nove partidas, mas isso pouco tem a ver com uma queda de desempenho de seu ‘novato-sensação’.

Cestinha consistente durante a maior parte da temporada, Nunn segue fazendo sua parte no lado ofensivo da quadra – anotando 20 pontos ou mais em três dos quatro jogos do Heat após a parada para o Jogo das Estrelas.

O problema é que Miami, enquanto equipe, anotou apenas o 22º melhor índice defensivo da liga nos últimos 9 jogos. Estatística intrigante, já que estranhamente coincidiu com as chegadas de Jae Crowder e Andre Iguodala ao elenco.

 


4) Rui Hachimura (Wizards) 13.9 PTS / 5.9 RTBS / 48.7% FG

O sonho do Wizards de ir para os playoffs parece estar cada vez mais distante, com a equipe estando, a essa altura, 4.5 jogos atrás do Orlando Magic – oitavo colocado.

Apesar disso, o fato de Bradley Beal e companhia acreditarem na possibilidade tem sido importante para o desenvolvimento de Rui Hachimura, novato que tem respondido à urgência dos jogos com muita consistência ofensiva – anotando dois dígitos em pontuação em oito de seus últimos nove jogos desde que retornou de lesão, bem como tem vivido seu melhor momento na linha dos 3-PT no ano, matando 46.7% de uma média de 1.7 tentativas no período.

É verdade que os números defensivos do japonês seguem ruins (permite 52.7% de aproveitamento nos arremessos de quadra aos adversários no acumulado da temporada), mas seu desempenho ruim tem de ser colocado no contexto de ‘total bagunça’ defensiva de sua equipe – pior da liga no ranking de ‘defensive rating’.

 

5) Brandon Clarke (Grizzlies) 12 PTS / 5.8 RBTS / 62.3% FG / 40.4% 3-PT com uma tentativa por jogo

No momento que teria sua maior sequência como ala-pivô titular da equipe após lesão de seu companheiro Jaren Jackson Jr., Clarke teve a má sorte de também se lesionar – estando projetado para ficar de molho durante ao menos as próximas duas semanas.

Sem ele, o Grizzlies perderá um dos jogadores mais eficientes da liga na transição ofensiva (1.42 ponto por posse), nas finalizações em situações de pick and roll (1.48 ponto por posse) e um defensor para lá de versátil em se tratando de um jogador que flutua entre as posições 4 e 5 (diminui em 2.4% o aproveitamento dos adversários na linha dos 3-PT e em 2.9% no total de arremessos até aqui).