Muito pior do que não encontrar uma estrela na primeira metade do draft é se dar conta – anos depois – que aquela pick que poderia ter sido importante na construção da equipe foi completamente desperdiçada.
Pergunte, por exemplo, como se sente o torcedor do Phoenix Suns em relação ao draft de 2016 – quando a franquia apostou na margem de evolução e na juventude dos alas-pivôs Dragan Bender e Marquese Chriss nas respectivas 4ª e 8ª posição da seleção.
Na mesma classe, o ala-armador Buddy Hield – mais maduro, já com 23 anos na época – foi escolhido na 6ª posição pelo Pelicans e, se não chegou a brilhar pela franquia que o selecionou, foi peça central na troca que levou o então allstar Demarcus Cousins para New Orleans e se tornou justamente aquilo que já era na noite do draft: um arremessador de 3-PT de elite.
Optar, portanto, por uma escolha mais segura – mesmo que com uma margem de crescimento mais limitada – no lugar de um projeto promissor, mas que pode se tornar um completo ‘bust’, é uma opção viável, sobretudo para franquias que já tem uma ‘fundação’ e necessitam de peças para complementar seu mix de talento.
Depois de um trabalho de análise da classe de 2020, separamos os 5 jogadores que acreditamos ter o maior ‘piso’ da classe. Ou seja – as 5 escolhas mais seguras:
1) Anthony Edwards (Georgia)
Posição: Ala-armador
Experiência: Freshman, 18 anos
Medidas: 1,96m de altura, envergadura de 2,08m e 102kg
Uma aberração sob o ponto de vista atlético – misturando uma força física absurda para um guard e mobilidade acima da média de 102kg, e dono de um controle de bola bom o suficiente para permiti-lo já, aos 18 anos, ser um slasher de bom nível na NBA, Edwards será, no mínimo, um pontuador volumoso.
Ainda que não transforme seu bom toque na bola e a mecânica sólida em consistência nos arremessos longos e na média distância – questão chave para que ele possa se tornar uma estrela, o jovem dificilmente não se consolidará como um titular ao longo de sua carreira.
Sobretudo se considerarmos sua mentalidade física e competitiva também no lado defensivo da quadra, o que – somada a seus atributos físicos – devem fazer dele um defensor positivo e versátil, podendo defender com conforto as posições 1, 2 e 3.
2) Obi Toppin (Dayton)
Posição: Ala-pivô
Experiência: Sophmore, 22 anos
Medidas: 2,06m de altura, envergadura de 2,14m e 100kg
Melhor jogador do basquete universitário na última temporada, Toppin tem um encaixe ofensivo perfeito com o basquete praticado na NBA atual.
Logo no primeiro dia que pisar na quadra da melhor liga do mundo, o jovem será um pesadelo para os adversários no jogo de dupla pelo tremendo atleticismo e entendimento de ângulos como ‘roller’ em situações de pick and roll, bem como pela capacidade de espaçar a quadra na linha dos 3-PT com conforto em pick and pops (39% dos 3-PT com 2.6 tentativas por jogo em 19-20).
Toppin é ainda um sonho para treinadores por sua habilidade de espaçar a quadra quando utilizado fora da bola – não apenas pela eficiência em cenários de spot up, mas também pelo ótimo entendimento tático para se posicionar com frequência na posição do ‘dunker’, ou seja, atrás da defesa, dando a seus armadores opções para lobs e drop offs.
Ainda que ele não melhore sua mobilidade lateral para oferecer mais resistência para adversários mais ágeis em situações de troca no perímetro e na contenção de pick and rolls, Toppin entregará valor ofensivo suficiente para ser um titular de bom nível ou um sexto homem de grande impacto durante sua carreira.
3) Deni Avdija (Maccabi Tel-Aviv)
Posição: Ala
Experiência: Liga Profissional Israelense / Euroliga, 19 anos
Medidas: 2,05m de altura, envergadura de 2,08m e 99kg
Produtivo atuando por uma das equipes mais fortes do basquete europeu na última temporada – exercendo um papel típico de ‘role player’ ao ser utilizado majoritariamente em situações de spot up e de corte fora da bola no lado ofensivo da quadra, Avdija provou ser versátil e maduro o suficiente para se encaixar em um sistema.
Jogador de bom fundamento em seu controle de bola em linha reta, sólida mecânica de arremesso em cenários de catch and shoot e tremendo ‘instinto para o jogo’ nos dois lados da quadra – o israelense terá longa carreira na NBA ainda que não desenvolva seus skills o suficiente para se tornar uma peça central em sua equipe, como foi na conquista de seu país no último Europeu sub-20.
Por conta de seu ball handling básico e inconstante na hora de balançar o adversário e mantê-lo seguro em situações de pressão, Avdija pode nunca ser capaz de criar o próprio chute ou atuar como um verdadeiro point foward no próximo nível – e ainda assim estará ‘tudo bem’.
4) Tyrese Maxey (Kentucky)
Posição: Combo Guard
Experiência: Freshman, 19 anos
Medidas: 1,90m de altura, envergadura de 1,99m e 90kg
Um bulldog na defesa individual e de grande entendimento de posicionamento na defesa coletiva – e um jogador igualmente confortável para jogar com a bola nas mãos ou fora dela, Maxey cairá nas graças dos treinadores da NBA rapidamente pela versatilidade que entrega.
Ainda que não se torne um armador capaz de comandar uma equipe com a bola nas mãos ou não confirme nossa convicção sobre ser um arremessador de 3-PT muito melhor do que seus 29.2% na última temporada possam indicar, ele entregará valor como um defensor positivo e um scorer perigoso pela habilidade de pisar no garrafão com muita consistência graças a uma combinação de velocidade e mudanças de ritmo – e finalizar ao redor do aro com o melhor floater da classe e muito controle corporal para absorver contato e finalizar no garrafão (3.9 lances livres por jogo; 49.2% de aproveitamento nos 2-PT em 19-20).
Mesmo em seu piso, Maxey deve se garantir como um sexto homem de bom nível na NBA.
5) Onyeka Okongwu (USC)
Posição: Pivô / Ala-Pivô
Experiência: Freshman, 19 anos
Medidas: 2,06m de altura, envergadura de 2,17m e 111kg
Ser um pivô capaz de entregar versatilidade defensiva – protegendo o aro (2.7 tocos em 19-20) com a mesma eficiência com que troca em alas e alas-armadores no perímetro, é, por si só, garantia de ser parte de uma rotação na NBA atual.
Okongwu é, sem dúvida, o melhor e mais versátil defensor da classe de 2020 e ofensivamente tem todos os atributos para ser um ótimo espaçador vertical em situações de pick and roll, bem como um tremendo ‘rim runner’ em contra-ataques e um constante incômodo para os adversários na tábua ofensiva de rebotes.
Ainda que Okongwu encontre problemas contra pivôs tradicionais de alto nível como Joel Embiid e Nikola Jokic pela falta de tamanho (altura + peso) – ele se consolidará, no mínimo, como um pivô de energia vindo do banco de reservas ao estilo Ed Davis.