Depois do sucesso de uma dupla metódica e posicional nos dois lados da quadra em Marc Gasol e Mike Conley, o Grizzlies aposta no atleticismo e agressividade da dupla Ja Morant e Jaren Jackson Jr. para seguir a trajetória consistente dos últimos anos – mas, desta vez, com maior atratividade para os fãs da liga.

Nas cinco temporadas que antecederam 2019-2020, o Memphis figurou entre as cinco equipes de menor pace da NBA – enfatizando um jogo de meia quadra para limitar as oportunidades de posses de bola dos adversários e batê-los a partir da execução.

Selecionado na 2ª colocação do último draft com a missão de transformar esse estilo e se adequar ao ‘run and gun’ que predomina na NBA contemporânea, Morant não demorou para revolucionar a maneira com que a equipe do Memphis joga basquete.

Usando não apenas do atleticismo fora dos gráficos que o permite colocar constante pressão no aro adversário (6º em infiltrações por jogo da liga), mas também sua disposição em avançar a bola sempre que possível – encorajando os companheiros a correr a quadra – o novato colocou o Grizzlies como 7º maior pace da liga e 5º colocado em pontos gerados a partir de contra-ataques (23.3 por partida).

O estilo agressivo do armador pareceu ter injetado uma energia extra em todo o elenco da equipe, mas poucos se beneficiaram tanto dessa abordagem quanto o ala-pivô Jaren Jackson Jr.

Dono de passadas largas e uma mobilidade acima da média para jogadores de 2,11m, o ex-jogador de Michigan State – que, apesar de ultra-eficiente nesses cenários em 2018-2019 (94.2th percentile), teve apenas 8.5% de seu volume ofensivo concentrado nessas ocasiões (produzindo 1.6 pontos), viu a utilização de sua fluidez atlética na quadra aberta saltar para 13% do volume de ataque.

Além de criar oportunidades para Jackson usar sua mobilidade na hora de bater outros pivôs na velocidade, o ritmo rápido ditado por Morant aumentou significativamente as oportunidades do sophmore em situações de trailer – em semi-transições.

Isto porque ao disparar em direção ao garrafão adversário com a explosão característica, ‘Ja’ força a defesa a correr para trás , oferecendo segundos extras para que Jackson tire seu arremesso do perímetro ao acompanhar o contra-ataque vindo de trás.

Essa dinâmica foi, em boa parte, responsável pelo salto de 3.9 tentativas de 3-PT por partida por parte do ala-pivô – que da média total de 6.3, 96.8% vindas de cenários ‘wide open’ ou ‘open. Isto é, com um defensor no mínimo 1.2 metro de distância, cenário que foi fundamental em sua eficiência de 39.7% de aproveitamento do perímetro até aqui na temporada.

Em suma, mais do que figurarem entre os jovens mais talentosos de suas posições sob o ponto de vista individual, Morant e Jackson são também um excelente encaxe como dupla.
Muito por conta disso, ambos tem conseguido liderar o Grizzlies a uma improvável oitava colocação na Conferência Oeste até aqui e irão para Orlando em busca de ratificar a classificação da franquia para os playoffs de 19-20.