O perfil físico e os atributos atléticos do combo guard RJ Hampton fazem dele um dos jogadores de maior potencial de crescimento da classe de 2020.

Sua velocidade em linha reta com ou sem a bola nas mãos, o tremendo primeiro passo e a agilidade para mudar de direção bruscamente – somado aos 1,96m de altura e envergadura de 2,05m pode fazer dele um dos jogadores mais perigosos da NBA em situações de transição, bem como um dos melhores defensores de perímetro da liga.

Por outro lado, no entanto, o fato de ser bastante cru âmbito dos ‘skills’ e dos fundamentos a essa altura de seu desenvolvimento lança um sinal vermelho sobre seu piso na liga.

Hampton precisará de muito trabalho de base para se tornar minimamente consistente como arremessador no próximo nível – sobretudo no que diz respeito ao seu trabalho de pernas.

Apesar de bom toque na bola e sólida mecânica na parte superior do corpo (destaque para o ‘follow through), o jovem não tem uma ‘rotina’ de arremesso nos membros inferiores. Por vezes seus pés estão juntos demais e o impedem de subir equilibrado para o chute. Em outras ocasiões, eles estão muito separados, e diminuem a ‘força gerada’ pelos membros inferiores no chute, forçando-o a lançar verdadeiros tijolos na tentativa de compensar com os braços.

Na temp. 19-20 da Liga Australiana, Hampton matou apenas 21.7% de suas tentativas de catch and shoot quando desmarcado (5th percentile) e apenas 29.5% de sua média de 2.9 chutes de 3-PT por partida.

Sua limitação como arremessador impacta diretamente sua habilidade de usar o atleticismo para pisar na área pintada na meia quadra – já que permite a seus defensores marca-lo com alguma distância em situações de ISO e optarem por ir ‘para baixo’ de corta-luzes em situações de PnR.

Para piorar, o jovem tem problemas com seu controle de bola em áreas congestionadas, quicando-a um tanto longe de seu corpo e fora de controle – fator que, na NBA, certamente não apenas limitará suas infiltrações, como também resultará em turnovers.

Esses dois atributos, somados ao fato de ter sua versatilidade defensiva limitada inicialmente pelo físico franzino de 82kg, podem ser – claro – trabalhados ao longo do tempo.

Não estamos cravando que Hampton será um bust, longe disso.

Mas suas limitações em áreas cruciais como essas levantam preocupações legítimas quanto à maximização de seu potencial físico-atlético e o colocam com uma ‘escolha de risco’ nesse draft de 2020.

Como GM, é prudente pensar duas vezes antes de seleciona-lo no Top 10. Talvez escolhe-lo fora da loteria – onde o alto risco é suplantado pela possibilidade de uma ‘recompensa’ mais alta que o de costume para a segunda metade da primeira rodada – passa a valer mais a pena.