Em uma sociedade cada vez mais precoce, a ansiedade da espera por resultados imediatos dos atletas escolhidos na loteria do draft e a velocidade com que se tende a elege-los como ‘decepções’ tem criado um ambiente cada vez mais sufocante para o desenvolvimento saudável de jovens jogadores.

Se antigamente a marca para se medir o valor de um prospecto era por volta do término de seu ‘contrato de calouro’, ou seja, ao final de sua quarta temporada – hoje, após 20 jogos desse jovem na liga, ele já passa a conviver com a rotulagem dos fãs e até de alguns analistas.

Respectivas quinta e sexta escolha do draft de 2019, Darius Garland (Cavaliers) e Jarrett Culver (Timberwolves) são exemplos de dois jovens que passaram por esse cenário.

O primeiro, por encontrar problemas naturais por ter de reencontrar seu ritmo de jogo ao mesmo tempo em que tentava se adaptar ao jogo dos profissionais – já que passou por cerca de 8 meses sem poder entrar em quadra por conta de uma cirurgia no joelho esquerdo.

Já o segundo – por não corresponder às expectativas de chegar mais ‘pronto’ à NBA depois de dois anos completos na NCAA.

Na virada do ano, no entanto – período que, tradicionalmente, marca o início de um ‘maior conforto’ de novatos na liga (vide Trae Young, em 18-19), passaram a atuar como quem está próximo de ‘virado a esquina’ e passar a produzir em um nível mais condizente com seus status pré-draft.

Nas 5 partidas que disputou em 2020, Garland se mostrou muito confortável para usar seu controle de bola acima da média e o ritmo ‘quebrado’ com seguidas hesitações e mudanças de velocidade para criar seu próprio arremesso – sobretudo nos pullups para 3-PT (47.4% de aprov. com média de 3.8 tent.) , área na qual foi apontado por nós como, de longe, o melhor de sua classe durante as avaliações pré-draft.

A ameaça de seu chute longo a partir do drible passou a lhe abrir seguidas oportunidades de pisar no garrafão – cenário que, naturalmente, aumentou sua efetividade como playmaker (5.4 ASTS e 2.2 TO no periodo) e como cestinha no geral (16.4 PTS, 40% 3-PT).

Já Culver, usou os também 5 jogos que atuou em 2020 para provar que pode traduzir para a NBA o tremendo defensor de perímetro que se mostrou durante os tempos de NCAA. Da virada do ano pra cá, limitou seus oponentes a 20% de aprov. na linha dos 3-PT e foi disruptivo fora da bola com 1.6 roubo e 1 toco por jogo.

Além do trabalho na defesa, o ala-armador mostrou mais confiança para usar suas excelentes medidas (1,98m de alt e 2,08m de enveg) para chegar ao garrafão com frequência (média de 6 finalizações na área restrita por jogo, duas a mais do que no acumulado da temporada) – para converter 46% de seus arremessos de quadra e anotar média de 14 pontos no período.